Degelo da Antártida pode dobrar o aumento do nível do mar

O degelo da Antártida poderá ser responsável por 37 centímetros do total da subida do nível do mar até ao final do século XXI, calculada em 1,2 metros, indica um estudo publicado hoje.

O estudo do Instituto Potsdam para a Pesquisa dos Impactos das Mudanças Climáticas publicado hoje na revista científica Dinâmica de Sistemas da Terra, da União Europeia de Geociências, avança que a contribuição do degelo antártico para a subida global do nível do mar poderá ser mais do dobro do que era estimado até agora (entre um e 16 centímetros) e poderá afetar 70% da população mundial.

O estudo hoje publicado, orientado pelo cientista Anders Levermann e que analisa 19 modelos de clima, análises oceanográficas e registos de satélites das últimas duas décadas, concluiu que a contribuição do degelo da Antártida pode chegar a 37 centímetros em 2100.

A aplicação destes modelos "melhorou as últimas previsões" e permitirá entender com maior precisão como isso afetará o fluxo de água cada vez mais quente do oceano que está a derreter a periferia do chamado continente de gelo, explicou Anders Levermann, citado pela agência espanhola EFE.

Os resultados do estudo do Instituto Potsdam são baseados em modelos de simulação de computador e as previsões estão limitadas ao século XXI.

Segundo o investigador, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a crescer ao ritmo atual, o degelo da Antártida, que presentemente contribui em 10 por cento para a subida do nível do mar, pode em breve tornar-se a principal causa para a subida das águas costeiras.

"Estamos a falar de um aumento muito significativo, o que representa um risco para cidades como Pequim ou Nova Iorque, e devem ser tidos em conta pelas autoridades porque têm enormes implicações", acrescentou Anders Levermann.

Segundo o estudo, mesmo no melhor cenário em que os Estados coloquem em prática medidas rigorosas para combater as alterações climáticas e tenham sucesso no sentido de a temperatura global não subir além dos dois graus até ao final do século, o aquecimento já acumulado na atmosfera continuará a derreter a Antártida.

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