Governos não cumprem directrizes para pesca sustentável

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) avançou num relatório que 28% do stock de pescas mundiais está actualmente sobreexplorado ou extinto, e que 52% se encontra “muito explorado”.

No documento apresentado pela FAO sobre o estado das pescas a nível mundial, a organização indica que pelos menos 15% das proteínas animais consumidas pelo homem provêm das pescas, que criam emprego directo ou indirecto a quase 200 milhões de pessoas e geram mais de 60 000 milhões de euros.

Porém, num estudo realizado por investigadores da universidade de Dalhousie, no Canadá, e da universidade da California, em San Diego, EUA, as práticas de gestão das pescas têm nota negativa. Segundo o El Mundo, o estudo publicado esta semana na revista ‘PLoS Biology’ indica que os planos de gestão estão muito longe das directrizes estabelecidas por organizações internacionais e que é urgente converter em política as recomendações científicas.

Segundo Boris Worm, da universidade de Dalhousie, “as consequências da sobreexploração ameaçam não só a segurança alimentar e o desenvolvimento socioeconómico mas também os próprios ecossistemas oceânicos”. O cientista - co-autor de um estudo publicado na revista Science em 2006, que alertou para a possível extinção comercial nas próximas décadas da maioria das espécies capturadas para consumo humano – acrescentou também que a sobreexploração das reservas marinhas provoca a erosão da biodiversidade.

Ainda que diversos países, confrontados com a ruptura de stocks, tenham subscrito recomendações das Nações Unidas para melhorar a gestão dos recursos marinhos, Worm conclui que falta ainda uma avaliação para medir até que ponto estas indicações foram colocadas em prática pelos governos. Na verdade, serão muito poucos os executivos que seguem as medidas para uma pesca sustentável.

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