Canadá pode perder 20% glaciares até 2100

Um quinto dos glaciares do Canadá podem desaparecer até ao fim do século, devido ao aquecimento climático, contribuindo para uma subida do nível dos oceanos em 3,5 centímetros, apurou um estudo hoje divulgado na revista Geophysical Research Letters.

Uma redução em 20 por cento dos glaciares canadianos até ao fim do século corresponde a um aumento em três graus Celsius da temperatura média terrestre no período.

"Mesmo na hipótese de um aumento moderado da temperatura, é muito provável que os gelos derretam a um ritmo alarmante", disse Jan Lenaerts, um meteorologista da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, o autor principal do trabalho, considerando "muitas fracas as possibilidades de isto se inverter", uma vez que o fenómeno parece "irreversível".

O derreter das neves na tundra e do gelo no oceano em torno dos glaciares vai intensificar o aquecimento global, com efeitos desastrosos nas calotes glaciares do norte do Canadá.

A neve e o gelo refletem os raios de sol. Com o seu desaparecimento, uma grande parte do calor daquela reflexão é absorvida pela terra e pelo oceano, o que faz aumentar a temperatura.

Mas, em torno dos glaciares canadianos, a alta seria de oito graus, estima o professor Lenaerts, que sublinhou não se tratar de um cenário extremo.

Os glaciares do Canadá, os terceiros mais volumosos do mundo, depois dos da Antártida e Groenlândia, fariam subir o nível dos oceanos em 20 centímetros se derretessem totalmente.

Desde 2000 que a temperatura no arquipélago ártico do Canadá aumentou entre um e dois graus e o volume de gelo já diminuiu nitidamente.

"Com este estudo, queremos mostrar que os glaciares canadianos deveriam ser incluídos nas estimativas e projeções"" da subida dos oceanos durante as próximas décadas, explicou Michiel van den Broeke, professor da Universidade de Utrecht, um dos co-autores do estudo.

O nível do mar subiu desde 1992 mais de 55 milímetros (três milímetros por ano), atribuível na sua maior parte (43,9 mm) à expansão térmica da água e o resto (11,1 mm) à fusão das duas maiores calotes glaciares do planeta, segundo um estudo internacional publicado em novembro de 2012 na revista Science.

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