Açores integram rede de estações de geodesia e radioastronomia

Os Açores vão integrar uma rede mundial na área da geodesia e da radioastronomia com estações a construir nas Flores e em Santa Maria, num investimento de 12 milhões de euros que deverá estar concluído em 2013.

"Este projecto integra uma rede mundial de estações, que, no caso dos Açores, terá um impacto directo, por exemplo, na determinação da velocidade de afastamento da placa tectónica em que assenta o arquipélago", salientou José Contente, secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos.

A construção das duas estações de geodesia e radioastronomia envolve um investimento global de 12 milhões de euros, num projecto conjunto do Governo Regional dos Açores e do Instituto Geográfico de Espanha.

Este projecto, em que o executivo açoriano tem uma participação de quatro milhões de euros, envolve a construção de estações VLBI (Very Long Baseline Interferometry), que serão complementadas com um centro de controlo em S. Miguel.  

"Os Açores estão a aproximar-se cada vez mais dos patamares mais elevados da tecnologia espacial", frisou José Contente, em declarações à Lusa, salientando o papel desempenhado pela estação de rastreio de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA), em Santa Maria.

"Esta estação colocou os Açores no centro e não na ultra-periferia da Europa (em termos de tecnologia espacial)", afirmou, recordando que o arquipélago "é a única região do país que tem uma estação da ESA".

A estação da ESA em Santa Maria, inaugurada a 17 de Janeiro de 2008 no Monte das Flores, foi a primeira com capacidade para seguir os lançadores de satélites em todas as fases de propulsão.

Esta estação, que cobre uma grande área do Atlântico, beneficia de uma localização privilegiada, situada na trajectória dos lançadores de satélites, que passam sobre Santa Maria a uma velocidade de 28 mil quilómetros por hora.

No próximo ano esta estação desempenhará várias missões de elevada importância, entre as quais o acompanhamento do lançamento de satélites do projecto europeu de navegação Galileo e do foguetão Arianne, que transportará um ATP (Automated Transfer Vehicle) com mantimentos, combustível e material diverso para a Estação Espacial Internacional.

A estação da ESA em Santa Maria, além do rastreio de satélites, dispõe também outras valências, nomeadamente no quadro dos projectos CleanSeaNet, que detecta derrames de petróleo através de imagens de satélite, e Maritime Security Service, de segurança de navegação marítima.

As imagens recolhidas pelos satélites são "analisadas diariamente" pela Marinha Portuguesa, seja na área da poluição ou da segurança da navegação, afirmou à Lusa o porta-voz do Comando da Zona Marítima dos Açores, Brito e Abreu.

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