Anti-depressivos podem salvar chimpanzés de laboratório

Um estudo recente mostrou que anti-depressivos podem ser usados para ajudar antigos chimpanzés de laboratório a combater depressões e traumas. Os investigadores dizem que o tratamento deverá ser considerado para centenas de outros animais da mesma espécie que já foram utilizados em pesquisa científica. A descoberta surgiu no momento em que um órgão de financiamento norte-americano considerou dispensar mais de 300 chimpanzés utilizados para pesquisa.

O estudo foi apresentado em Boston, na American Association for the Advancement of Science, e o seu principal propulsor, a Drª. Godelieve Kranendonk, contou à BBC News o sucesso do projeto. "De repente os chimpanzés acordaram. Era como se fossem zombies presos e agora estão felizes, brincam uns com os outros. São chimpanzés outra vez, foi muito bom de ver", disse.

Existem refúgios em vários países para estes animais que são usados em investigação científica, já que, como explica o investigador, muitos deles saem dos laboratórios deprimidos e traumatizados. Para isso contribui o facto de estarem há 15 ou 20 anos fechados em laboratórios para animais, tendo perdido a capacidade de brincar ou de se relacionar com outros animais da mesma espécie. Em vez disso, passam o seu tempo em isolamento e, muitas vezes, comem o seu próprio vómito. Outros dos sinais de trauma são o balancear para trás e para a frente e o arrancar os próprios cabelos.

Quando são levados para os refúgios, os chimpanzés são postos numa dieta rica em vegetais, têm brinquedos à disposição e espaço para percorrerem. Apesar de tudo, os cientistas notaram que o comportamento anormal continuava a piorar, os animais não sabiam lidar com a nova liberdade por estarem habituados a passar os dias fechados em jaulas.

Com a nova descoberta de anti-depressivos, similares ao medicamento Prozac que é usado em depressões e distúrbios de ansiedade humanos, e depois de seis a oito semanas, o comportamento dos animais começou a melhorar. Os chimpanzés começaram a brincar e a relacionar-se. Sete meses depois os animais comportavam-se como se nunca tivessem estado fechados durante anos.

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