Ano negro para o lince ibérico

Este ano já é considerado negro para o lince ibérico, a espécie de felino mais ameaçada no mundo e o carnívoro em maior perigo na Europa. No último domingo foi encontrado mais um felino de apenas quatro meses atropelado numa estrada, na região de Andaluzia.

Este caso faz aumentar para catorze linces mortos, número que iguala, em apenas sete meses, o recorde histórico de atropelamentos de linces ao longo de 2013, revela o El Mundo. As organizações ambientalistas dizem que o problema reside na falta de cercas que impeçam os animais selvagens de atravessarem as estradas.

Luis Suarez, o responsável pelo Programa de Espécies do World Wide Fund for Nature (WWF), alerta: "se somarmos os atropelamentos de 2013 e os que ocorreram até agora este ano, temos 24 mortes, este excede o número de linces libertados", uma soma que ameaça os esforços de conservação da espécie que têm sido feitos.

"A causa da morte poderia ter sido evitada", lamentou Suarez ao diário espanhol. O responsável denunciou a manutenção inadequada das estradas, trabalho da responsabilidade da Junta de Andaluzia, já que para além da morte dos linces, animais maiores podem também ser atropelados, representando um problema de segurança para os condutores. Confrontada pelo El Mundo sobre estas questões, a Junta não respondeu.

O lince-ibérico, apenas existente na Península Ibérica, no sul da Europa, é uma espécie em perigo crítico de conservação por várias organizações incluindo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e o grupo de conservação SOS Lynx. A queda acentuada da população da sua principal fonte de alimento, o coelho, resultado das várias doenças com que tem sido afetado, contribuiu para o declínio da espécie. O lince também foi afectado pela perda das matas, o seu habitat natural, pelo desenvolvimento humano e, consequentemente, pelas mudanças no uso do solo e pela construção de barragens e estradas. Ainda assim, o atropelamento é a principal causa de morte do lince-ibérico.

A reprodução em cativeiro e os programas de reintrodução têm aumentado nos últimos anos. Em 2013, a Andaluzia tinha uma população de 309 indivíduos em estado selvagem. Numa tentativa de salvar esta espécie da extinção, foi criado o projecto Europeu de Vida Natural que inclui a preservação do habitat, monitorização da população do lince (reintroduzindo, aos poucos, alguns linces em idade adulta, depois da sua criação em cativeiro) e a gestão das populações de coelho.

Em Portugal, esse esforço também tem sido feito. No final deste verão é esperada uma primeira libertação de linces nascidos em cativeiro, caso se mantenha a recuperação que se tem observado nas populações de coelhos-bravos. Serão oito animais, nascidos na rede de centros de reprodução em cativeiro de Espanha e Portugal (em Silves, inaugurado em 2009, como medida de compensação pela construção da barragem de Odelouca) e que irão experimentar a vida selvagem na zona de Mértola. Entre 2005 e 2013, nos quatro centros de reprodução em Espanha e um em Portugal, nasceram 236 linces. Até meio deste ano, foram mais 36. Dos que sobreviveram, vários já foram libertados na natureza, em Espanha.

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