Animais chegaram a Madagáscar em jangadas

Como é que lémures, rãs e raposas chegaram à isolada ilha de Madagáscar há 65 milhões de anos? Um novo estudo diz que os animais apanharam boleia em jangadas naturais

Matthew Huber e Jason Ali argumentam que as correntes oceânicas entre o continente africano e e Madagáscar, há milhões de anos, tornavam essa viagem de 480 quilómetros possível e muito rápida – o que evitava que os passageiros morressem de sede. A conclusão baseia-se em três anos de simulações de computador das antigas correntes oceânicas.

A ideia não é nova. Pelo menos desde 1915 os cientistas defendem esta teoria em alternativa à noção de que os animais chegaram à ilha por uma faixa de terra que ligaria Madagáscar ao continente e que depois teria sido destruída pelas deslocações dos continentes.

Os animais terão sido empurrados para o mar durante tempestades, e flutuavam nas árvores e nos restos de vegetação atirados para as águas.Muito provavelmente, eram apanhados de surpresa durante períodos de hibernação.

O trabalho de Huber e Ali apoia um artigo publicado em 1940 por George Gaylord Simpson, um dos mais importantes paleontólogos do século passado. Simpson defendia que depois dos animais chegarem, os seus descendentes evoluíram para as formas distintas que conhecemos hoje. A ilha tem mais espécies únicas do que qualquer outro lugar no planeta, com excepção da Austrália, que é 13 vezes maior.

"O que fizemos foi comprovar a veracidade das hipóteses de Simpson" diz Huber. Madagáscar, no Oceano Índico, é considerada um laboratório vivo para estudar o impacto da geografia na evolução, já que está isolada há pelo menos 120 milhões de anos e a sua fauna chegou muito mais tarde.

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