Medidas contra terrorismo reforçadas para a noite de passagem de ano no Porto

Este ano, as autoridades irão aplicar "duas ou três" medidas de segurança adicionais, fruto da evolução dos modos de atuação dos grupos terroristas. São esperadas cerca de 200 mil pessoas na passagem de ano da avenida dos Aliados

As autoridades estimaram esta quinta-feira que cerca de 200 mil pessoas celebrem a passagem de ano na avenida dos Aliados, no Porto, onde a segurança contra atos terroristas será reforçada, apesar de não haver registo de qualquer ameaça.

"Há algumas ameaças normalmente identificadas para este tipo de eventos, nomeadamente eventos que comportam grandes multidões. Elas foram identificadas. Em termos de Plano de Segurança estão previstas medidas para mitigar as ameaças. A nível global, em termos dos serviços de inteligência, não temos elementos adicionais que nos mereçam alguma preocupação adicional em relação a eventos de anos anteriores, nomeadamente a questão da ameaça terrorista", revelou o superintendente-chefe da PSP do Porto, Pereira Lucas.

Segundo aquele responsável, para além das barreiras que impedem a circulação automóvel, este ano serão aplicadas "duas ou três" medidas de segurança adicionais, fruto da evolução dos modos de atuação dos grupos terroristas.

"Não irei referir quais são para não dar ideia, mas, neste momento, se analisarem o contexto no último ano a nível de atuação por parte de algumas organizações há algumas modalidades novas. Em relação a essas foram tomadas também medidas", acrescentou.

O superintendente-chefe da PSP do Porto excluiu, contudo, a colocação de torniquetes de revista de pessoas no acesso à avenida, explicando que as forças de segurança estarão particularmente atentas aos perfis de risco devidamente identificados, atuando em conformidade caso estes sejam detetados.

"Em termos de procedimento normal para todas as pessoas que vão aceder [aos Aliados] não existirão medidas de revista", disse, acrescentando que se o dispositivo policial no terreno encontrar um "perfil de risco" serão tomadas medidas, que poderão passar pela contenção, revista e, se for o caso, a sua retirada do espaço.

Esta ideia foi reforçada pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que, na conferência de imprensa que reuniu esta manhã no quartel dos Sapadores Bombeiros do Porto forças de segurança, responsáveis da proteção civil e de mobilidade, lembrou que, ao longo dos últimos cinco anos, as medidas de segurança têm sido adequadas ao crescimento da noite de passagem de ano.

Plataforma MyTáxi associa-se ao plano de mobilidade para a passagem de ano

"Hoje temos muito mais pessoas, temos uma exigência maior daquilo que são as infraestruturas da cidade e temos vindo a fazer essa adequação permanente. Nós estamos convencidos que as pessoas, dentro dos riscos inerentes a qualquer evento desta natureza, possam estar tranquilas. Não adotamos, de facto, esse modelo de fiscalização, se quisermos de torniquete, a cidade não está habituada a torniquetes, aliás temos um metro que não tem torniquetes", declarou.

Ainda de acordo com a PSP, a operação decorrerá entre as 20:00 de segunda-feira e as 17:00 de terça-feira, estando previsto o encerramento de vários espaços como bares e rulotes amovíveis por volta das 04:00.

Previsto está ainda o reforço da operação da CP, Metro do Porto e STCP e a participação da plataforma MyTáxi, que este ano se associa ao plano de mobilidade para a passagem de ano.

Condicionamento de trânsito a partir de sábado

A autarquia alertou ainda para os condicionamentos de trânsito já a partir de sábado, aconselhando as pessoas a deixarem o carro nos parques de estacionamentos na periferia (parques da Casa da Música, do Campo Alegre e do Estádio do Dragão) e a usarem os transportes públicos para efetuarem o restante percurso até ao centro da cidade.

Para quem decida deixar o carro nestes parques, e mediante a apresentação do título de viagem Andante já validado, o valor a pagar será de apenas 95 cêntimos por 12 horas.

A avenida dos Aliados será o local principal dos festejos da noite de passagem de ano, recebendo o tradicional espetáculo de fogo de artifício, lançado às 00:00 a partir do edifício da Câmara do Porto, e um concerto do músico Pedro Abrunhosa.

Além dos Aliados, a noite de passagem de ano terá ainda mais três palcos alternativos: largo Amor de Perdição (Cordoaria), praça Gomes Teixeira (leões) e praça dos Poveiros.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.