Taxistas em protesto fazem serviço gratuito no aeroporto de Lisboa

Há carros parados em frente ao aeroporto Humberto Delgado com um papel no para-brisas, onde se pode ler "serviço gratuito".

Cerca de 15 taxistas estão a fazer serviço gratuito no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, a pessoas com mobilidade reduzida, desde quinta-feira, apesar de continuar a manifestação que decorre na capital, Porto e Faro pelo terceiro dia consecutivo.

"Há situações prioritárias, [como pessoas em] cadeira de rodas, pessoas com deficiências, mães com bebés ao colo que não têm de pagar por esta paralisação", contou ao DN Tiago Belgrano e que é taxista há oito anos.

Está um carro de oito lugares parado em frente ao aeroporto de Lisboa com um papel no para-brisas, onde se pode ler "serviço gratuito".

Tiago Belgrano, de 41 anos, explicou que um grupo, com "cerca de 15 motoristas", está "desde ontem cedo" a prestar este serviço porque as pessoas com maior dificuldade de deslocação "têm direito a isso" e os "serviços prioritários" são uma forma de "equilibrar as coisas", quando os restantes táxis continuam parados na Avenida da Liberdade.

Os taxistas "vão-se revezando" ao longo dos turnos.

Questionado sobre se a Federação Portuguesa do Táxi (FPT) e a Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), o taxista referiu que ambas sabem os que os motoristas estão a fazer e que até foi "a organização que disponibilizou" o serviço.

"São à volta de dez carros que já estiveram lá em baixo, na Praça dos Restauradores, parados", sublinhou, acrescentando que "cobrem o concelho de Lisboa inteiro".

Tiago Belgrano disse ainda que na quinta-feira os taxistas fizeram "cerca de 50 serviços" e que vão continuar a fazer viagens sem cobrar aos clientes "ate a paralisação acabar".

Numa altura em que as duas associações que representam os taxistas aguardam uma resposta do primeiro-ministro, António Costa, e têm uma reunião agendada com a Presidência da República, na segunda-feira, o taxista confessou que espera uma "decisão favorável a todas as partes".

"Espero que consigamos trabalhar condignamente, taxistas e o que for, [e que haja] responsabilidade de ambas as partes, principalmente do Governo, para ter sensibilidade para esta situação. Estão muitos postos de trabalho em risco", contou.

Quem vai em direção à estação de metro do aeroporto é confrontado com uma fila que começa desde o final das escadas que acedem ao terminal.

Um funcionário do Metropolitano de Lisboa, que não se quis identificar, disse ao DN que a estação "está sobrecarregada" desde o início dos protestos dos taxistas.

Os dirigentes da FPT, Carlos Ramos, e da ANTRAL, Florêncio Almeida, saíram "insatisfeitos" da Assembleia da República, porque não reuniram os deputados suficientes para fazer o pedido ao Tribunal Constitucional de fiscalização sucessiva da lei que regula a atividade de Transporte em Veículo Descaracterizado a partir da Plataforma Eletrónica (TVDE).

As associações que representam os profissionais do setor precisavam de convencer 10% do número total de deputados na Assembleia da República, ou seja, pelo menos 23 dos 230 deputados, para que o pedido de fiscalização avançasse.