Martim Moniz: três milhões para projeto com mais zonas verdes e sem vedação

No próximo verão a praça do Martim Moniz deverá ter o mercado localizado apenas na parte central. Os extremos ficarão livres e as pessoas terão mais espaço para passear naquela zona da cidade de Lisboa

Mais zonas verdes, mais mesas e cadeiras, sem vedação e com o mercado de fusão localizado na zona central libertando os extremos para fruição de quem passar pela zona ou nela habitar. Assim será a praça do Martim Moniz a partir do verão do próximo ano quando deverá estar terminada a requalificação do espaço, num investimento estimado de três milhões de euros.

O projeto de renovação da praça tinha sido apresentado pela autarquia no dia 20 de novembro recebeu críticas dos moradores - principalmente a decisão de colocar uma vedação e o projeto de utilização de contentores para colocar os comerciantes. E estes foram dois dos pontos que a empresa responsável pela exploração do comércio na praça - a Moonbrigade, Lda - quis explicar esta quinta-feira numa reunião com jornalistas.

Segundo Geoffroy Moreno, um dos sócios da Stone Capital (que faz parte da Moonbrigade, Lda), as mudanças que o projeto inicial sofreu vão também ser apresentadas à comunidade local - habitantes e associação - de forma a que todos possam ficar a conhecer a requalificação prevista e a nova "cara" da praça.

O ponto que menos consenso recebeu foi a ideia de utilizar contentores para substituir os atuais quiosques. Geoffroy Moreno adiantou que estes equipamentos vão ser "descascados" e que o seu interior será revestido com materiais como madeira ou vidro e que terão portas e montras: "Serão adaptados ao comércio ou serviço que cada um irá albergar." Lembrou que a decisão de usar estas estruturas surgiu depois de uma pesquisa que mostrou "que há mercados em vários pontos do mundo que usam contentores".

Na zona central da praça está previsto que surjam 50 espaços comerciais como florista, cabeleireiro, talho, padaria, restaurantes de comida do mundo que já estavam na praça, uma chapelaria e uma loja de disco. E uma galeria a cargo do coletivo Underdogs que terá a seu cargo um espaço para exibições e workshops de arte. Também as associações locais terão espaços próprios.

Certa também é a reserva de um destes espaços para uma loja dos moradores, de utilização gratuita, onde os habitantes da zona podem vender, por exemplo, roupa em segunda mão. Os contentores vão ter vários tamanhos, podendo ir dos 6 metros quadrados aos 60 metros quadrados e as rendas deverão variar entre os 300 euros e os dois mil. Os concessionários da praça esperam criar 300 empregos e uma bolsa de trabalhadores para que os residentes do bairro da Mouraria possam inscrever-se e encontrar ali uma ocupação.

De acordo com Geoffroy Moreno a área concessionada sofrerá uma diminuição de 40% em relação ao que existe atualmente - ficam 8200 metros quadrados fora da concessão e o mercado ocupará 28% da praça - e será feito "um reforço das árvores, floreiras e trepadeiras", além disso deixou a garantia que a praça será totalmente livre, "um espaço público sem fronteiras" e com muitas cadeiras e mesas para as "pessoas utilizarem". Frisou que a ideia inicial de colocar a vedação estava relacionada com um aumento de segurança, mas que depois das críticas foi decidido abandonar a ideia.

Existirá ainda um pórtico com seis metros que terá uma instalação artística, fotos de habitantes do bairro - "rostos do mundo", sublinhou - e um mini-miradouro.

O empresário comprometeu-se a "fazer o controlo da música ambiente para não incomodar as pessoas", tal como frisou que a empresa vai fazer uma "gestão integrada da higiene urbana. Vamos recolher todo o lixo da praça e vamos tratá-lo".

Outro compromisso que deixou foi o de que o concessionário - que fica responsável pelo espaço até 2032 - está disponível para se envolver na construção de um parque infantil na praça, um equipamento que o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, já assumiu gostar de ver nascer na zona na sequência desta requalificação.

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