PSP agiu bem? Estes acontecimentos "não podem ser subvalorizados"

Presidente parlamentar do partido entende que o que se passou no Porto "foi uma agressão com um fundamento racista, que não pode deixar de ser registada no plano político"

Artur Cassiano
O presidente do grupo parlamentar do PS, Carlos César© Mário Cruz/Lusa

O PS exigiu esta quinta-feira que o Governo atue junto das forças policiais para que haja consequências da agressão "racista" de que foi vítima uma jovem colombiana e que conclua "rapidamente" o diploma sobre segurança privada.

Esta posição foi transmitida aos jornalistas pelo líder parlamentar socialista, Carlos César, depois de Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida na Colômbia, ter sido violentamente agredida e insultada, na madrugada de domingo, no Porto, por um segurança da empresa 2045 a exercer funções de fiscalização para a STCP (Serviço de Transportes Coletivos do Porto).

Falando no final da reunião da bancada do PS, Carlos César vincou que o seu partido "não está disponível para contemporizar com estas situações e para avaliá-las como simples episódios triviais, ou como desavenças na via pública".

Depois, Carlos César deixou vários recados ao Governo, afirmando que "é importante que conclua rapidamente a proposta de lei para disciplinar melhor a atividade da segurança privada".

"É importante também que o Governo tenha consciência de que aquilo que se passou não foi uma mera desavença", acentuou o líder da bancada socialista.

Interrogado sobre a atuação das forças policiais, que poderão ter procurado desvalorizar este caso de agressão, o presidente do Grupo Parlamentar do PS referiu que estes acontecimentos "não podem ser subvalorizados", devendo, mesmo, ser "sobrevalorizados, porque é essa a obrigação das autoridades num Estado de Direito".

"Não temos que defender o país que temos, temos de defender o país que queremos", contrapôs Carlos César.

Para o presidente do Grupo Parlamentar do PS, o que se passou no Porto "foi uma agressão com um fundamento racista, que não pode deixar de ser registada no plano político".

"Entendemos que é importante que na sociedade portuguesa não se escondam acontecimentos como estes, que não sejam mascarados ou trivializados, sendo, antes, devidamente valorizados. É importante que na sociedade portuguesa se aprofunde o debate sobre o racismo", defendeu o líder da banca socialista.

Carlos César advertiu mesmo que não se pode pensar que Portugal "é uma exceção no mundo" sobre fenómenos de racismo "e que tudo decorre da melhor forma".

"Não podemos ignorar que situações destas escondem uma realidade que também coincide na vida social portuguesa", frisou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.