PSD quer acesso a queixas contra obras no prédio de Ricardo Robles

Deputados do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa já pediram acesso ao processo de licenciamento relacionado com o imóvel comprado pelo ex-vereador do Bloco de Esquerda, que já não tinha "condições políticas" para continuar na autarquia

Carlos Ferro
PSD de Lisboa quer conhecer processo de licenciamento do edifício comprado por Ricardo Robles© Jorge Amaral / Global Imagens

Quando foi Ricardo Robles notificado pela Câmara Municipal de Lisboa a fazer obras no imóvel da Rua do Terreiro do Trigo? Como foi feito o processo de licenciamento? Que queixas contra as obras foram apresentadas por terceiros?

Estas são algumas da questões que os deputados do PSD eleitos para a Assembleia Municipal querem ver respondidas.Para o conseguir entregaram na tarde desta segunda-feira um requerimento na AM a pedir o acesso a todo o processo relacionado com o prédio situado em Alfama e que o ex-vereador do Bloco de Esquerda comprou por 347 mil euros em 2014 num leilão promovido pelo Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social.

De acordo com o presidente da concelhia lisboeta do PSD, Paulo Ribeiro, o partido tem dúvidas sobre o processo "e por isso pediu o acesso aos documentos. Só depois de os analisar é que vamos ver se há matéria para levantar outras questões". Entre as dúvidas está o facto de "não ser linear que naquela zona se possa autorizar mais um andar", explicou ao DN.

No entanto, não deixa de salientar que, na altura de todo este processo - entre 2014 e 2016 - Ricardo Robles era "deputado municipal e o líder da bancada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal".

Quando ao pedido de renúncia ao cargo de vereador por parte do representante do Bloco de Esquerda na autarquia, o presidente da concelhia de Lisboa do PSD diz que o partido "congratula-se com a decisão [de demissão de Ricardo Robles]. Era evidente que não tinha condições políticas" para continuar no cargo.

Para Paulo Ribeiro era claro que o ex-vereador apresentava "inconsistências evidentes entre a sua ação enquanto cidadão e enquanto vereador". E que esta decisão é "natural e vem de encontro ao que o PSD exigiu logo após os primeiros esclarecimentos".

O responsável social-democrata frisa que este anúncio, por um lado, "dá razão ao PSD de Lisboa" e "retira razão à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que no sábado disse que a ação do vereador não tinha nada de mal. E que estava em linha com a ação do Bloco. Isto parece-me duas conclusões claras para a renúncia".

(noticia atualizada com a referência ao pedido do PSD de acesso ao processo de licenciamento)