"O Porto não pode viver com o mesmo número de efetivos da PSP com que vivia em 1948"

Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, quer que Governo reforce número de polícias na cidade do Porto

Maria João Caetano
Rui Moreira© Arquivo Lusa/ Manuel Fernando Araújo

O presidente da Câmara Municipal do Porto considerou hoje que o Governo deve alocar "mais recursos" às forças policiais do Porto, não podendo a cidade viver com o mesmo número de efetivos de há 70 anos.

"Uma cidade como o Porto não pode viver, em 2018, com o mesmo número de efetivos da PSP com que vivia em 1948", afirmou o independente Rui Moreira durante uma conferência de imprensa, nos paços do concelho, a propósito do Bairro do Aleixo.

O autarca adiantou que o esforço das forças policiais só pode ter sucesso se houver "meios adequados e em quantidade adequada", algo que neste momento não existe, considerou, acrescentando que compete ao Governo resolver esse problema. "Não escondo que me desgosta que o país não tenha mais meios do que aqueles que aloca ao combate a este flagelo [tráfico de droga]. Desgosta-me, posso protestar indignado, mas não pode a câmara fazer nada mais do que já faz", referiu.

Falando na falta de condições de habitabilidade do Aleixo, Moreira lembrou que o local era "manifestamente" associado ao tráfico e consumo de droga, recordando que este tipo de problemas existe lá, como noutros locais da cidade. Não podendo a câmara resolver questões de tráfico de droga, Moreira salientou também não poder aceitar que todos os moradores do Aleixo sejam rotulados como traficantes ou consumidores de droga porque "não o são".

Assim, a Câmara do Porto vai realojar em habitação municipal, no prazo máximo de seis meses, as 270 pessoas que vivem nas três Torres do Aleixo porque estes imóveis "não são recuperáveis", anunciou hoje o presidente, explicando que ​​​​​​​decidiu realojar "o mais rapidamente possível" todas as famílias que ocupam 89 frações porque uma "vida digna não é possível naquelas condições".

A solução passa por realojá-las em "habitação municipal que vai vagando" e "alguma da pouca habitação que foi entregue pelo fundo imobiliário", referiu. "E com esta decisão resolvemos, pelo menos, a questão da dignidade e das condições de habitabilidade dos que ali vivem".

Já quanto ao Fundo do Aleixo, constituído pelo anterior presidente da câmara,o social-democrata Rui Rio, Rui Moreira afirmou estar a ser estudada uma solução definitiva.