Jardim da Cerca da Graça está degradado três anos depois da inauguração

1,7 hectares, três miradouros, relvado, parque de merendas, quiosque com esplanada, parque infantil e um pomar. A relva está agora queimada, há graffiti e o chão está sujo. A Câmara diz que vai resolver

Ana Bela FerreiraDNAndré Campos Ferrão
 | foto Álvaro Isidoro/Global Imagens
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O Jardim da Cerca da Graça, na freguesia de São Vicente, em Lisboa, foi inaugurado há três anos, mas hoje encontra-se degradado, com a relva queimada, graffiti ao longo das paredes e o chão está sujo. Os lisboetas e a presidente da Junta de Freguesia pedem intervenção no espaço, que é da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa, mas a autarquia referiu que apenas se tratou de uma falha na manutenção e que está a ser corrigida.

Inaugurado em junho de 2015, o Jardim da Cerca da Graça, na encosta subjacente ao Convento da Graça, ocupa quase dois hectares e é "o maior espaço verde de acesso público da zona histórica" de Lisboa, de acordo com a informação disponibilizada na página oficial do município.

O espaço também foi requalificado para permitir a ligação entre os bairros da Graça e da Mouraria, "já que dispõe de três entradas principais: "Uma junto ao Convento da Graça, outra na Calçada do Monte, a meio da encosta, e por fim uma na Mouraria." O jardim tem três miradouros, um relvado central, um parque para merendas, um quiosque com esplanada, um parque infantil e ainda um pomar. O relvado no centro era utilizado maioritariamente por moradores e turistas para banhos de sol ou por famílias com crianças.

Mas em agosto deste ano o cenário é diferente. O relvado central ficou queimado e de verde passou a amarelo e seco, com pedaços de terra visíveis. As paredes ao longo do jardim estão cheias de graffiti e as plantas que preenchem a encosta estão queimadas. O parque era visitado por muitas pessoas, mas agora contam-se pelos dedos da mão as que decidem passar a tarde neste espaço. Os locais são escassos e os poucos turistas estrangeiros que entram curiosos também não ficam durante muito tempo.

Ao contrário de outros jardins da cidade, repletos de pessoas, neste jardim o único som que se ouve é o dos técnicos dos serviços de manutenção dos espaços verdes da Câmara de Lisboa.

Para Joana Paixão, de 28 anos, a redução no número de visitantes foi a alteração mais notória e a lisboeta acredita que se deve à degradação que o jardim sofreu.

A moradora aproveitou a tarde para apanhar banhos de sol com uma amiga. Estendeu a toalha e "fez praia" em plena zona histórica de Lisboa, mas explicou ao DN que agora vê "menos pessoas" e acredita que se deve ao estado do jardim. "Costumo vir para aqui de manhã e via muito mais gente aqui", referiu, elencando os graffiti espalhados pelo espaço não transtornam, mas "o que incomoda é a relva".

"Estávamos agora a comentar que estão a arranjar a relva. Não sei se ligam durante a tarde e a relva fica queimada, não sei se escolhem mal a hora", afirmou, considerando que "visualmente não é bonito".

Vicente Camelo estava no pomar a tocar acordeão e, apesar de não considerar que o espaço estivesse "muito degradado", teceu comentários sobre a manutenção em falta. O morador de 37 anos vincou que "há um pouco mais de sujidade no chão" e que "a relva podia estar um pouco mais cuidada", uma vez que se trata de um espaço "mais amplo e mais calmo".

Ambos consideram que o espaço não deveria ter chegado a estado degradado que tem hoje e consideram importante a reabilitação.

Questionada pelo DN, a presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, Natalina Moura, demarcou-se das responsabilidades de intervenção no jardim. "Não é da nossa competência, é totalmente da Câmara", explicou, acrescentando que a degradação do Jardim da Cerca da Graça "já foi um assunto muito discutido na Assembleia Municipal de Lisboa, na Comissão de Ambiente de Qualidade de Vida" e que a quarta comissão - responsável pela análise da condição do jardim - já "visitou o espaço" e chamou o vereador do Ambiente, Espaços Verdes, Clima e Energia da autarquia da capital, José Sá Fernandes. "Nós gostaríamos de ver o jardim diferente", lamentou.

O DN também pediu esclarecimentos à Câmara de Lisboa, que referiu em comunicado que o caso está sinalizado e em fase de resolução. Fonte do gabinete de José Sá Fernandes explicou que "o que foi detetado foi uma falha na manutenção e que está a ser suprida com meios próprios da Câmara de Lisboa".

A autarquia também confirmou a falta de tratamento no relvado e do arvoredo na encosta. "De facto houve uma degradação dos relvados que tem de ser reposta, mas neste momento isso está a ser feito."

"Foi detetado o problema e está a ser corrigido", garantiu a autarquia, elencando que o jardim "é mantido pela Câmara de Lisboa através de um contrato de gestão e manutenção com uma empresa".

A nota explica que na primeira semana de agosto foi detetado "um problema no sistema elétrico da rega que, associado às elevadas temperaturas, reduzida humidade e ventos fortes que se fizeram sentir" e que "conduziu a uma deterioração rápida dos relvados".

"Neste momento, a empresa de manutenção em conjugação com os meios próprios da CML mobilizados para o efeito, estão a atuar para corrigir a situação de forma a evitar maior degradação do jardim. A avaria no sistema elétrico da rega automática estará resolvida previsivelmente durante o mês de agosto mas, até lá, a rega acionada manualmente estará funcional, explicita o município, acrescentando que o espaço "tem elevada carga humana, o que pode condicionar a recuperação, mas é expectável" que demore "algumas semanas".