Empresas de estacionamento low cost em Lisboa suspeitas de burlar clientes

O que prometem não é o que cumprem. Há pelo menos duas empresas na capital que cobram para depois largarem os carros na via pública, em vez de os guardarem numa garagem privada. O caso foi denunciado pela TVI.

Catarina Reis
Autarquia pretende resolver o problema fazendo regressar o estacionamento pago à Avenida Almirante Gago Coutinho.© Pedro Rocha / Global Imagens

Lisboa Park e Air Park são duas das empresas de serviço de estacionamento low cost em Lisboa que, de acordo com a TVI, estarão a burlar os seus clientes. Prometem deixar o carro num parque coberto com videovigilância 24 horas por dia, mas a viatura do cliente é, afinal, largada na via pública.

O processo é simples. Por cinco ou seis euros diários, feita a reserva online, um funcionário da empresa dirige-se ao aeroporto Humberto Delgado para fazer a recolha do seu carro, levando a viatura para um parque coberto privado com videovigilância durante todo o dia. Ou pelo menos é o que prometem. Assim que a chave fica à responsabilidade da empresa, muitos dos carros são estacionados na Avenida Almirante Gago Coutinho, espalhados pelos mais de dois quilómetros de estacionamento gratuito.

"Comecei a achar estranho ver tantos carros estacionados e tão cedo todos os dias. As pessoas que trabalham por esta zona não são assim tantas e não é confortável deixar aqui o carro para ir até ao aeroporto". Augusto Cabaço, de 67 anos, é há 20 anos funcionário da Magestil, entidade de formação profissional residente na Avenida Almirante Gago Coutinho. Contudo, em entrevista ao DN, confirma que é apenas há um ano que testemunha estas movimentações anormais na zona. Desde que as áreas de estacionamento à volta passaram a ser parqueadas e esta, por pedido dos pais que deixam os filhos nos colégios da avenida, se tornou a única gratuita.

Mas a falta de lugares para os carros voltou a ser uma preocupação da ordem diária. "Vejo pessoas fardadas, sentadas dentro dos carros, a tirar apontamentos todo o dia. Os carros ficam aqui dias e dias seguidos - mais de oito dias - e depois não temos lugares de estacionamento", descreve o funcionário da Magestil.

O DN tentou também contactar o gerente da Air Park, Luís Tercitano, mas não obteve resposta. Quando confrontado pela TVI, que fez inclusive o teste com uma viatura própria e acabou por confirmar o caso, negou o exposto pela estação televisiva. Já Pedro Louro, gerente da Lisboa Park, entrevistado pelo DN, disse apenas que "a história não é como foi contada". O site da empresa ficou, entretanto, inativo.

Face ao problema exposto, a Câmara Municipal de Lisboa já prevê a aplicação de tarifas ao longo da avenida a partir de 2019. Contudo, a solução de hoje pode bem ser o problema de amanhã para quem trabalha na zona. "Por causa disto, agora nós é que vamos pagar. Vão voltar a parquear a zona e deixamos de ter onde estacionar gratuitamente para vir trabalhar", lamenta Augusto Carraço.

O caso já é do conhecimento do comissário da divisão de Trânsito de Lisboa, Pedro Pereira, que lamenta que pouco ou nada se possa fazer, pois "trata-se de um espaço aberto ao público". Sobre a proposta da autarquia, o responsável assume, contudo, ser "uma solução em cima da mesa".