Artista Unidos levam Enda Walsh ao TeCA

O Teatro Carlos Alberto (TeCA), no Porto, vai receber, de sexta-feira até 13 de maio, o ciclo Enda Walsh, dramaturgo irlandês repetidamente premiado, numa produção dos Artistas Unidos com três peças e duas leituras.

"A Farsa da Rua W" inaugura o ciclo na sexta-feira, seguindo-se "Acamarrados" a 4 de maio e "Penélope" (que tem a sua estreia nacional no TeCA a 11 de maio), as três peças de Walsh escolhidas pela companhia dirigida por Jorge Silva Melo, fazendo-se acompanhar por "O Chat" e "O Novo Dancing Elétrico" enquanto leituras encenadas, com "Fome" pelo meio, o filme realizado pelo vencedor do prémio Turner de 1999, Steve McQueen.

Para Silva Melo, que reconhece ser Walsh o autor que mais de perto acompanhou na última década, "o retrato que Enda Walsh faz dos seus homens (quase não há mulheres no seu teatro) não é terno: são patifórios, aldrabões, os seus sonhos são medíocres", disse à Lusa, em resposta a um conjunto de questões por escrito.

Porém, o diretor dos Artistas Unidos ressalva que, apesar desta dureza de personagens, há uma "ternura enorme [que] advém destes seres perdidos que por vezes se abraçam, que se matam uns aos outros, mas que louvam a amizade".

"Não são [peças] fáceis, exigem um trabalho muitíssimo pormenorizado dos atores, exigem atores brilhantes. E são a contrapelo de alguma modernidade: as personagens de Enda Walsh são pobrezinhas, não se arrogam o luxo da filosofia, não hesitam em ser parvas, mesquinhas. Os atores devem despir imensos preconceitos, partir para um simples abraço de humanidade para com as suas personagens", explicou Jorge Silva Melo, quando questionado sobre a exigência dos trabalhos do autor irlandês.

Ainda que distantes da realidade, os personagens do dramaturgo a quem já foi dedicado um festival em Washington "são católicos, bebem cerveja, falam de futebol, inventam uma história gloriosa acerca do seu passado", descreveu Silva Melo, à semelhança de um potencial grupo de emigrantes portugueses em Newark, nos Estados Unidos, com quem se poderia falar sobre "tremoços e pastéis de nata, da Super Bock e do FC Porto, das romarias de agosto e do crédito bancário".

A questão central dos emigrantes irlandeses nos bairros de Londres é encontrarem-se e perderem-se num espaço "onde inventam uma mentira fundadora: para sobreviver", levando o diretor artístico da companhia de teatro a questionar: "Não é assim que nós sobrevivemos?"

Enda Walsh nasceu em 1967 em Dublin, de onde se mudou para Cork duas décadas mais tarde, tendo-se destacado com a peça "Disco Pigs" em 1996, que recebeu vários prémios no festival Fringe de Edimburgo, onde voltou a fazer furor em 2001 com "Acamarrados", segundo a biografia publicada pelo Studio Theatre de Washington.

Mais recentemente, assinou o argumento do filme "Fome", obra sobre a situação na Irlanda do Norte na década de 1960 e um grupo de prisioneiros em greve de fome, que veio a receber a Camera d'Or no festival de Cannes.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Quem ameaça a União Europeia?

Em 2017, os gastos com a defesa nos países da União Europeia tiveram um aumento superior a 3% relativamente ao ano anterior. Mesmo em 2016, os gastos militares da UE totalizaram 200 mil milhões de euros (1,3% do PIB, ou o dobro do investimento em proteção ambiental). Em termos comparativos, e deixando de lado os EUA - que são de um outro planeta em matéria de defesa (o gasto dos EUA é superior à soma da despesa dos sete países que se lhe seguem) -, a despesa da UE em 2016 foi superior à da China (189 mil milhões de euros) e mais de três vezes a despesa da Rússia (60 mil milhões, valor, aliás, que em 2017 caiu 20%). O que significa então todo este alarido com a necessidade de aumentar o esforço na defesa europeia?