"O genocídio não foi um acidente da História",

Jorge Sampaio, alto comissário das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, disse hoje na abertura das conferências "Portugal e o Holocausto" que o nazismo não pode ser esquecido e que o genocídio não foi obra do acaso.

"O genocídio não foi um acidente da História, foi um produto de um extrato social", alertou Jorge Sampaio na abertura das conferências sobre "Portugal e o Holocausto" que começaram hoje na Fundação Calouste Gulbenkian e que se prolongam até terça-feira.

Jorge Sampaio, que já anunciou que vai abandonar o cargo na Aliança das Civilizações em fevereiro, considerou que o ensino da História do século XX é fundamental para a "procura" de pontos para a resolução de conflitos e sublinhou que é preciso não esquecer os acontecimentos do passado recente.

"Tony Judt (historiador e pensador) alerta-nos para a falta de atenção que dedicamos ao passado recente. O século XX ainda há pouco nos deixou e os seus medos já estão a ser empurrados para a memória espúria. O passado recente é o mais difícil de perceber e nós tratamos o século passado com ligeireza", citou Sampaio, ao referir-se ao período da II Guerra Mundial (1939-1945).

O ex-Presidente português disse ainda que a herança traumática da II Guerra Mundial e a catástrofe do Holocausto "marcaram o século XX" e por isso, afirmou, é preciso fazer tudo para que a "maldade cresça e que as vítimas não fiquem em silêncio" e recordou que a "Europa política" foi construída nos escombros "da tragédia".

A conferência "Portugal e o Holocausto -- Aprender com o Passado, Ensinar para o Futuro" realiza-se a partir de hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e vai reunir especialistas, académicos e políticos portugueses e internacionais.

"O objetivo desta conferência é contribuir para o aumento do conhecimento académico e promover a compreensão do Holocausto e do papel de Portugal durante esse período da História, bem como apoiar o ensino do Holocausto em Portugal", refere a organização da conferência, que se prolonga até terça-feira.

Entre os oradores destacam-se além de Jorge Sampaio, os embaixadores dos Estados Unidos, Alan Kats, da Alemanha, Helmut Elfenkamper, e de Israel, Ehud Golde; o representante do Holocaust Memorial Museum dos Estados Unidos, Peggy Frankston, o ministro da Educação, Nuno Crato; a historiadora Irene Pimentel, o autor do livro "Portugal, Salazar, and the Jews", Avraham Milgram, e os jornalistas Clara Ferreira Alves e José Pedro Castanheira.

Hoje, é ainda inaugurada na Fundação Gulbenkian a exposição "Os Refugiados do Holocausto e Portugal" e ao final da tarde terá lugar a sessão Música e Memória do Holocausto pela Escola de Música de Nossa Senhora do Cabo e a projeção do documentário "Testemunhos", de Esther Mucznik, da Fundação Memoshoá/Portugal.

As conferências são organizadas pela Embaixada dos Estados Unidos em Portugal, pela Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento e pela Fundação Calouste Gulbenkian.

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