Violinista Carlos Damas atua no sábado em Macau

O violinista português Carlos Damas sobe no sábado ao palco do teatro D. Pedro V, em Macau, para um concerto com a pianista Jill Lawson e com o quarteto de corda da Orquestra de Macau.

Integrado no programa en-Cantos, a quinzena cultural de Portugal em Macau, Carlos Damas vai tocar durante o concerto, dividido em duas partes, obras do compositor português José António Fragoso e uma obra do compositor francês Ernst Chausson.

"Na primeira parte estarei eu e a pianista Jill Lawson em palco para tocarmos obras de José António Fragoso e na segunda parte teremos a colaboração do quarteto de cordas da Orquestra de Macau para a obra muito complexa de Ernst Chausson", explicou Carlos Damas à agência Lusa.

No pequeno teatro, classificado como Património da Humanidade pela UNESCO, Carlos Damas promete "música e prazer em palco" e uma "experiência inédita" no género de música que será tocado com a partilha do palco de músicos ocidentais e orientais.

"É um evento inédito neste âmbito porque nunca houve um projeto que juntasse músicos locais e portugueses", disse, ao salientar ter "sempre existido", neste género musical, "uma barreira entre as duas culturas".

Ao longo do espetáculo, Carlos Damas espera "proporcionar prazer ao público" e conseguir uma "partilha agradável para toda a gente, tanto para músicos como para a assistência".

"É isso que vamos tentar obter", salientou.

Carlos Damas tem vindo nos últimos anos a consolidar a carreira internacional.

Natural de Coimbra, onde começou o seu percurso musical no conservatório local, Carlos Damas viveu e estudou também em Paris, onde aprendeu com alguns dos melhores mestres do violino.

A primeira vez que subiu ao palco tinha 15 anos e estava acompanhado pela Orquestra da RDP, mas a estreia, em 1997, foi em Paris num concerto para violino do compositor português Luís de Freitas Branco.

Apesar de ter vivido em Macau na década de 1990, Carlos Damas não pensa, para já, regressar à cidade porque não pode nem quer interromper a sua carreira internacional, mas garante que voltará "sempre que surgirem oportunidades para atuar".

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