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O drama norueguês de Erik Poppe é protagonizado por Juliette Binoche, uma fotógrafa de guerra que, devido à sua profissão, vive constantes situações de perigo. Leia as críticas de João Lopes e Rui Pedro Tendinha ao filme que estreou esta semana nas salas de cinema portuguesas.

JOÃO LOPES (Classificação 1/5)

Fotografar em cenário de guerra

Há uma de tradição irregular que, ao longo das décadas, tem gerado os mais diversos filmes sobre o trabalho dos fotógrafos profissionais em situação de guerra - lembremos, por exemplo, a personagem de Dennis Hopper em Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola, ou Debaixo de Fogo (1983), de Roger Spottiswoode, com Nick Nolte e Gene Hackman. O filme de Erik Poppe pode inserir-se nessa tradição, para mais tendo em conta que o realizador fotografou, precisamente, ao longo dos anos 80, muitos cenários bélicos. Infelizmente, a história da personagem interpretada por Juliette Binoche vai derrapando da abordagem crítica para um "romantismo" algo postiço que, em última instância, simplifica todas as questões éticas e filosóficas. Mesmo reconhecendo que o filme pode ser um bom pretexto de debate, os resultados ficam aquém das potencialidades que o tema envolvia.

RUI PEDRO TENDINHA (Classificação 3/5)

Binoche, uma credível junkie da guerra

Alívio supremo. Binoche não se enganou: 1.000 Times Goodnight não é o previsível europudding que se esperava, ou seja, não é daquelas co-produções europeias com uma série de países que dá para o torto. O filme de Erik Poppe é a história de uma repórter fotográfica especializada em cenários de guerra. O filme começa quando é convidada a acompanhar um mártir dos terroristas num atentado no Afeganistão. Depois de assistir a uma barbárie, volta a casa e tenta retomar um quotidiano impossível.

Poppe, o realizador, sabe o que filma - foi fotógrafo de guerra - e assina uma ficção credível sobre um tema não muito explorado no cinema. Percebemos que um repórter de guerra entra em transe perante os mais infames horrores. É um objeto de cinema com aventura humana lá dentro. Escusado será referir que Binoche é exemplar como protagonista. Seguramente, um filme com genuíno olhar "fotográfico".

Ficha de Filme

Título original: A Thousand Times Goodnight

Realizador: Erik Poppe

Com: Nikolaj Coster-Waldau, Juliette Binoche

Ano: 2013

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