O mais famoso gaulês nas termas romanas de "Lutécia"

O aniversário de Astérix, que cumpre amanhã 50 anos, é celebrado com um "encontro insólito" entre a banda-desenhada e a antiguidade romana em Paris.

Uma exposição de originais e objectos alusivos a Astérix abre hoje em Paris, no Museu de Cluny-Museu da Idade Média, em pleno coração da capital francesa.

"É um encontro insólito, este encontro de dois monumentos nacionais", resumiu a directora do Museu de Cluny, Elizabeth Taburet-Delahaye, numa apresentação à imprensa, terça-feira.

A exposição de ilustrações e objectos foi montada no "frigidarium" das antigas termas, junto à Abadia de Cluny e ao edifício principal do Museu da Idade Média.

Trata-se de uma jóia da arquitectura romana, única estrutura da época da dominação da Gália por Roma que sobreviveu de pé a norte do rio Loire.

O "frigidarium" romano foi reaberto em Maio de 2009, depois de uma intervenção profunda. A exposição de Astérix foi montada sob a cúpula das termas romanas, que se ergue a quinze metros do chão.

Um dos módulos da exposição foi, aliás, instalado dentro dos tanques das antigas termas, evocação directa dos banhos públicos e da cidade de "Lutécia" (Paris) nos álbuns de Astérix.

Albert Uderzo, co-criador do herói gaulês, visitou "Astérix no Museu de Cluny", terça-feira, na companhia da filha de René Goscinny, o outro "pai" da famosa série de banda-desenhada.

Dentro do magnífico espaço do "frigidarium", Uderzo comentou, à chegada, que "rimos muito com os Romanos (nos álbuns de Astérix) mas afinal nem temos muita razão para isso".

A exposição integra o primeiro número da revista "Pilote", de 29 de Outubro de 1959, onde nasceu Astérix e vários outros heróis de BD.

A máquina de escrever "Royal", de Goscinny, fabricada em Nova Iorque e com teclado "à inglesa", como notou Anne Goscinny, é outra das peças de uma exposição com dezenas de originais, expostos pela primeira vez em França.

René Goscinny, que morreu em 1977, é uma presença insistente da exposição na abadia de Cluny, que dedica um dos módulos à amizade e à longa colaboração entre o argumentista e o desenhador Uderzo.

Um dos originais é uma caricatura de Goscinny, trabalhando ao estirador, mas com corpo de cavalo, espécie de pégaso com traços do Jolly Jumper do "cow-boy" Lucky Luke, outro herói célebre de BD com argumentos de Goscinny.

"Um belo encontro não é, em todo o caso, uma consagração suplementar oferecida a um herói de banda desenhada elevado ao estatuto de monumento nacional", escrevem, no prefácio do catálogo da exposição, Elizabeth Taburet-Delahaye e Thomas Grenon, administrador geral dos Museus Nacionais de França.

Os responsáveis de "Astérix no Museu de Cluny" pretenderam evitar "excessos laudatórios ou vias para a mumificação" do herói gaulês mais famoso no mundo.

Pranchas originais, manuscritos, páginas dactilografadas e outros documentos "foram escolhidos para convidar os visitantes a 'ver', no espírito lúdico e humorado que caracteriza a obra de Uderzo e Goscinny, o processo de criação artística".

O diálogo que se estabelece entre as pranchas de Uderzo e Goscinny e o refrigério das termas de "Lutécia" "testemunham uma antiguidade imaginária", afirmou a directora do Museu de Cluny na apresentação.

No exterior da abadia, pendurados nas grades dos "boulevards" Saint-Germain e Saint-Michel, estão reproduções de interpretações de quadros célebres em "versão" Astérix.

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