Festival de São João da Madeira arranca amanhã

O Festival de Teatro de S. João da Madeira, organizado pela Escola Secundária Serafim Leite e a autarquia, arranca quinta-feira com a peça "Édipo", do Chapitô, e entradas pagas nos espetáculos amadores, pela primeira vez em seis edições.

A medida foi apontada pelo vereador da Cultura e vice-presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Rui Costa, como "um estímulo à participação" dos doze grupos de teatro amador que integram o programa do evento, e que irão absorver a receita das suas encenações.

Os espetáculos são acessíveis ao público pelo "preço simbólico de dois euros", enquanto os ingressos mais caros do Festival, de 7,5 euros, continuam a estar reservados apenas para os espetáculos das companhias profissionais, nomeadamente Chapitô e Primeiros Sintomas.

"O valor dessas entradas é simbólico e foi definido com os grupos de teatro, por forma a não excluir públicos, mas houve também a preocupação de responsabilizar o público pelas reservas que efetua", declarou Rui Costa à Lusa.

"É um contributo para os grupos poderem produzir cada vez melhor as suas peças", prosseguiu o vereador da Cultura, destacando o pagamento de entradas como forma de "consciencialização de que o acesso à cultura não significa necessariamente gratuitidade".

Até 01 de maio, são assim 14 as produções que, por atores profissionais ou por intérpretes ligados a grupos de teatro de coletividades da região, escolas locais e universidades seniores, levam ao palco dos Paços da Cultura aquele que Rui Costa aponta já como "um dos eventos culturais mais emblemáticos de S. João da Madeira".

Para o vice-presidente da autarquia, esse estatuto justifica-se "não só pela qualidade das peças em cena, mas também pelo que reflete da dinâmica associativa do município, que soube alargar o âmbito do festival a outras instituições da região".

Na primeira versão, o certame surgira por iniciativa do projeto Espaço Aberto, da Escola Secundária Serafim Leite, e tinha como principal objetivo promover o teatro amador de caráter estudantil.

Uma das docentes afetas ao Espaço Aberto, Cristina Reis, admite que o evento soube crescer ao longo de seis anos e que foi a afirmação do certame a motivar agora "a novidade do preço simbólico dos bilhetes para as peças amadoras".

A professora considera, por isso, que a comunidade não irá encarar os ingressos de dois e 7,5 euros como "um custo pesado" para acesso aos espetáculos, antes acreditando que o público apreciará a nova medida como um encargo que "vale a pena ter, para se garantir a existência do festival".

Cristina Reis adianta ainda que, mesmo antes de o certame arrancar, as entidades organizadoras estão já a preparar a edição de 2013.

"Haverá tempo para refletir sobre o que se vai passar nesta sexta edição", garante a professora, "mas está-se sempre a pensar na construção mais positiva do festival seguinte".

O Festival de Teatro de S. João da Madeira começa quinta-feira, às 21:00, com a encenação de John Mowat de "Édipo", sob direção artística de José Carlos Garcia, com Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas como protagonistas.

A peça seguinte é "A Mesa", pelo grupo ANIM'ARTE, da Universidade Sénior de S. João da Madeira, e estará em cena sexta-feira, às 21:30.

Sábado à tarde, o palco pertence aos atores do grupo "Sol&Lua", da Escola EB1 do Parque, que interpretam "Sem olhar para trás", às 16:00, enquanto à noite as luzes incidem sobre "A partilha", pelo GEDE - Grupo de Expressão Dramática de Escapães.

Domingo, às 18:00, segue-se "Vervicachos e companhia", do grupo "A Bem Dizer", da Escola Secundária Oliveira Júnior, na segunda-feira, também à noite, é apresentado "O nosso fado", do grupo ATUS da Universidade Sénior de Santa Maria da Feira, e, na terça-feira, no mesmo horário, "A mulher sem sombra", da TROUPE da Secundária Serafim Leite.

No feriado há duas encenações em cartaz. " tarde, o "Auto da Índia", de Gil Vicente, pelo grupo Janela Aberta da Escola EB 2,3 de S. João da Madeira, e "Entre uma e outra, venha o diabo e escolha", do grupo Cultura Viva, à noite.

O programa do evento prevê ainda "Os desabotoados da vida", dia 26 à noite, pelo grupo TOJ da Secundária Oliveira Júnior, "Igualdade? Procura-se!", dia 27, às 21:30, pelo TEPAS - Teatro Experimental por Amadores Sanjoanenses, "Geração Trianon, dia 28, à noite, pelo grupo Lua Nova, da Escola Secundária João da Silva Correia, e "Terra de fogo", domingo, às 18:00, pelos Serafins da Serafim Leite.

A "Salomé", pela companhia Primeiros Sintomas, cabe o encerramento do Festival de Teatro de S. João da Madeira, no feriado de 01 de maio, às 18:00.

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