Bando de Raparigas

João Lopes faz a crítica ao mais recente trabalho da realizadora Céline Sciamma, filme que foi nomeado para quatro categorias no Prémios César

JOÃO LOPES (3/5)

Drama juvenil em tom feminino

Céline Sciamma (francesa, nascida em 1980) distingue-se por uma visão muito particular dos temas e fronteiras de infância e adolescência. Bastará lembrar esse filme admirável que é Tomboy (2011), entre nós lançado como Maria-Rapaz, sobre uma menina de 10 anos que, ao mudar de escola, se apresenta como rapaz... Bando de Raparigas é bem diferente, mas envolve também um dramático desafio identitário. Trata-se de colocar em cena o grupo a que o título alude, formado por quatro jovens dos subúrbios de Paris, oscilando sempre entre a difícil integração (escolar, familiar, etc.) e um persistente desejo de fuga. Mais do que isso: Sciamma sabe colocar em cena os mecanismos, discretos ou brutais, que tendem a impor um poder exclusivamente masculino, tendencialmente machista. Não cedendo a padrões "sociológicos", muito menos moralistas, este é, por isso, um filme metódico e obsessivo sobre o valor da solidariedade e a problemática afirmação individual. Entretanto, registe-se que Sciamma colabora no argumento de Quand On A 17 Ans, o próximo título de André Téchiné.

Veja aqui o trailer:

Título original: Bande des Filles

Realizador: Céline Sciamma

Ano: 2014

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