"Filmes do Fantasporto raras vezes chegam às salas"

"Os filmes do Fantasporto raras vezes passam nas salas de cinema", disse à Lusa o director Mário Dorminsky, refutando as acusações de se tratar de um festival comercial.

"Parece-nos ilógico dizerem que o Fantasporto é um festival comercial. Porque tem muita gente? De comercial, em si, não tem nada, porque muitos dos filmes que passam aqui raramente passam nas salas de cinema", salientou o director do Festival de Cinema do Porto. Com uma média de 80 a 85%, o Fantasporto - que começa na sexta-feira - "continua" a promover o cinema europeu e, com uma "grande percentagem", o cinema português.

Para a organização do festival "é lamentável" que em Portugal, país com um "potencial enorme" nas áreas do turismo e da cultura, "não haja uma interligação entre o Ministério da Economia e o Ministério da Cultura". "No fundo, quando se fala em cultura parece que se está a falar do diabo", realçou o organizador. Os espectáculos "estão cheios" e quando há eventos "as pessoas aderem e a cultura continua a chamar gente".

Durante as Noites Rivoli, Mário Dorminsky refere ter ouvido "diversas" vezes agradecimentos "ao pessoal" do Rivoli. Segundo o organizador há "uma pessoa" que trabalha no Rivoli e a restante equipa "foi contratada pela Cinema Novo", com "muitos voluntários", e no Fantasporto "será a mesma coisa".

"A Câmara do Porto o ano passado deu-nos 50 mil euros dos quais 20 mil euros eram para pagar pessoal. Este ano desceu para 24 mil euros, descontando pagar ao pessoal, ficávamos com 4 mil euros de apoio", garantiu Mário Dorminsky. O director referiu a "grande empatia" que os voluntários nutrem pelo festival, "dando-lhes gozo trabalhar aqui dentro, seja nas portas ou em diversas áreas ligadas à produção e aos filmes".

A organização revelou ter 60 a 70 pessoas a trabalhar "neste momento", "cerca de 170" durante a primeira semana e, mais tarde, "quase 300". "E no último dia somos quase 400 com o Baile dos Vampiros. O que quer dizer que é uma estrutura pequenina", ironizou o director do Fantasporto.

"As pessoas não têm a noção disso, da dimensão de uma estrutura deste género que passa mais de 360 filmes durante 15 dias. Ao mesmo tempo, todo o trabalho que está por trás, não só ao nível da selecção como da obtenção de financiamento para o festival", assegurou Mário Dorminsky.

Segundo a organização, as cadernetas de 10 bilhetes para o Fantasporto, 3 euros por filme, estão "a sair violentamente" e devem esgotar "ainda" no início da semana. A 31ª edição do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto - decorre até 6 de Março no Teatro Municipal Rivoli.

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