Festival AmadoraBD até 10 de novembro

A importância dos cenários nas histórias de banda desenhada serve de base para a 24ª edição do Festival Internacional de BD da Amadora, que começa na sexta-feira, num ano que aposta sobretudo na nona arte portuguesa.

A exposição central do AmadoraBD - que pretende refletir sobre aquele tema - é dedicada ao autor português Ricardo Cabral, já premiado no festival, e que verá a sua obra em retrospetiva no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.

Ricardo Cabral, ilustrador e autor de banda desenhada, de 34 anos, é autor de álbuns como "Evereste", "Pontas Soltas - Cidades", "Newborn - 10 dias no Kosovo" e "Israel - Sketchbook", cujo processo de trabalho será revelado no festival, entre cadernos de desenhos, fotografias e arte final.

De traço meticuloso e pormenorizado, conjugando desenho, fotografia e digital, Ricardo Cabral é conhecido por transposições realistas de paisagens urbanas, entre grandes panorâmicas e situações do quotidiano, adicionando-lhes, em certos casos, elementos do universo do irreal e da ficção.

No Fórum Luís de Camões, até 10 de novembro, concentra-se grande parte das exposições do festival, entre as quais uma mostra dedicada aos 75 anos do Super-Homem e do Spirou, outra sobre o caricaturista e desenhador Fernando Relvas e também sobre o escritor David Soares, que tem assinado vários argumentos de BD, nomeadamente "O pequeno deus cego", "É de noite que faço as perguntas" e "Mucha".

A banda desenhada brasileira contemporânea estará representada na exposição "Seis esquinas de inquietação", com trabalhos originais de André Diniz, André Kitagawa, Diego Gerlach, Rafael Sica, Marcelo D'Salete e Pedro Franz.

O Amadora BD recordará ainda algumas das pranchas dos volumes da série "Dog Mendonça e Pizzaboy", idealizada por Filipe Melo, Juan Cavia e Santiago Villa.

A ilustradora Madalena Matoso, premiada em 2012 no festival com o livro para a infância "Todos fazemos tudo", terá uma mostra individual, enquanto na Casa Roque Gameiro estarão originais de Ana Biscaia, Prémio Nacional de Ilustração 2012.

O AmadoraBD é anualmente palco de concorridas sessões de autógrafos com autores e desenhadores - este ano estarão, por exemplo, o francês Yoann (Spirou e Fantasio), o argentino Juan Cavia e o brasileiro André Diniz -, e de lançamentos editoriais de banda desenhada, apesar de o mercado do setor ser relativamente pequeno.

O festival, organizado pela autarquia, poderá ter o modelo de gestão revisto para as próximas edições, afirmou à Lusa o diretor, Nelson Dona.

Em causa estão restrições orçamentais e "procedimentos administrativos" que têm dificultado o planeamento e fragilizado a imagem do festival, ainda que o AmadoraBD tenha sido sempre assumido como uma prioridade pela autarquia.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG