"Há uma garrafa de Vinho Verde disponível nos quatro cantos do mundo"

Um vinho único no mundo e com uma personalidade igualável, o Vinho Verde faz parte da cultura portuguesa. E Manuel Pinheiro, Presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, fala sobre a sua internacionalização e o que torna este tipo de vinho tão diferente.

Quais as características que tornam o Vinho Verde, produzido na sua região demarcada, único no mundo?

Há quem aprecie mais, ou menos, o Vinho Verde, mas realmente a opinião unânime, e a meu ver a correta, é de que este vinho é único no mundo. Há para isso causas naturais, das quais ressaltam a forma como a Região está toda orientada para o mar, com uma influência marítima reforçada pelos vales do rios. Há ainda a opção que os produtores fizeram de se concentrarem nas castas autóctones da Região - o Loureiro, o Azal, a Alvarinho, o Vinhão - que dão aos nossos vinhos esta personalidade única. Isto não quer dizer que a Região não evolua, claro que evolui, mas isso acontece mantendo sempre esta diferenciação.

Qual o impacto da produção do Vinho Verde e do consequente enoturismo para a região Noroeste de Portugal?

O impacto do Vinho Verde como atividade económica ultrapassa em muito as fronteiras de Portugal. Exportado para mais de 100 países, há uma garrafa de Vinho Verde disponível nos quatro cantos do mundo. Nos EUA ou na Alemanha, mais de 50% dos vinhos portugueses com denominação de origem são Vinho Verde. Em locais como Nova Iorque, São Paulo, Berlim e Londres, o Vinho Verde está presente nas lojas. As exportações de Vinho Verde representaram, em 2018, 64 milhões de euros. Em Portugal, o Vinho Verde é a segunda Região com maior presença no mercado, 17% dos vinhos de qualidade, após os nosso colegas do Alentejo. No Minho, o Vinho Verde é produzido por 15.000 agricultores em 48 concelhos e, portanto, é uma realidade económica e social muito relevante.

Cada tipo de vinho verde tem as suas características próprias. Quais as características mais diferenciadoras entre os vinhos verdes brancos, os verdes rosés e os verdes tintos?

A nossa Região designa-se no plural: a Região dos Vinhos Verdes. E faz sentido que assim seja porque, sendo vinhos únicos, são, ao mesmo tempo, muito diversos. Claro que começamos pelos vinhos mais tradicionais, lotes de castas, com pouco álcool e que festejam a alegria da vida. Mas há mais e cada vez há melhores opções. Há os vinhos de casta, há os vinhos das sub-regiões. E deixou de ser verdade que o Vinho Verde é o vinho do ano: muitos destes evoluem muito bem em garrafa. Ao segundo, terceiro ano, desenvolvem novos aromas e sabores.

E quais as melhores harmonizações de gastronomia para cada tipo de vinho verde?

Eu diria que há uma harmonização para cada tipo de vinho. Há vinhos de entrada, mais habituais no Verão com gastronomia mais ligeira, saladas e marisco. Depois há vinhos de casta, vinhos com madeira, vinhos estagiados e todos eles acompanham perfeitamente pratos de carne, assados, pratos condimentados muito para além do que era tradicional. Quem se agarrar ao mito de que o Vinho Verde só harmoniza com peixe fica a perder a melhor parte!

MANUEL PINHEIRO

"O impacto do Vinho Verde como atividade económica ultrapassa em muito as fronteiras de Portugal. Exportado para mais de 100 países, há uma garrafa de Vinho Verde disponível nos quatro cantos do mundo."

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