"Pensamos no consumidor em primeiro lugar"

Leonor Freitas, empresária que está ao comando da Casa Ermelinda Freitas, estabelece o retrato de um negócio que é, na verdade, uma paixão de gerações.

Como se define a história da Casa Ermelinda Freitas?
Esta é uma história de mulheres, que deram continuidade a uma casa rural do concelho de Palmela, que vivia da cultura da vinha e da venda de vinho a granel. Tive a sorte de ter tido mulheres muito fortes na minha família e de ser a primeira das mulheres a sair da região de Fernando Pó para prosseguir os seus estudos, o que me permitiu devolver à família muito daquilo que ela me tem dado, especialmente no que diz respeito aos valores e à paixão pela viticultura. Foi aí que, regressada às vinhas, comecei a transformar o negócio, a criar marcas, dando o rosto pelo nome da minha mãe, razão pela qual muitas vezes somos confundidas como uma só pessoa!

E o que tem de especial o terroir a partir do qual nascem os seus vinhos?
Não há dúvida que existe uma grande diferenciação, por estarmos numa grande região, de terras aparentemente pobres, de areia, mas com um lençol freático alto no qual as plantas se vão alimentar, e estamos também perto do mar. Mas, além disso, o amor com que a minha família tratou da terra, a dedicação ao longo dos anos veio trazer grandes diferenças, bem como a dedicação das pessoas que trabalham hoje comigo. Não há dúvida que o terroir faz toda a diferença, mas a enologia e a viticultura também o fazem. Quando estamos a criar um vinho pensamos no consumidor em primeiro lugar, nos sabores com que ele irá harmonizar os vinhos, porque essa também é a chave para o nosso sucesso, ir de encontro ao consumidor.

Um sucesso que se reverte frequentemente em prémios.
Sim, os prémios são importantíssimos e nesse sentido temos de felicitar o Prémio Uva de Ouro, porque representa vinhos que estão nas prateleiras, perto do consumidor. Isso é extremamente importante porque um prémio traz consigo a curiosidade da prova, é uma oportunidade de existirem mais consumidores a conhecer determinado vinho e por consequência um aumento do volume de vendas. Mas também é uma oportunidade para nós, permite-nos aferir que estamos no caminho certo.

Esse caminho passa também pela criação de vinhos exclusivos para o Continente. Qual a motivação?
Todos os nossos vinhos têm uma história afetiva, e é esse também o caso do Vinha da Valentina, um vinho que foi criado, de facto, a pensar na importância que tem uma grande superfície, como é o caso das lojas da Sonae. É aí que a maioria dos consumidores vai, e por isso criar um vinho exclusivo é uma forma de agradecimento pela oportunidade de estarmos nesse primeiro momento, em que os consumidores pegam na garrafa e a levam para casa.

LEONOR FREITAS

Não há dúvida que o terroir faz toda a diferença, mas a enologia e a viticultura também o fazem. Quando estamos a criar um vinho pensamos no consumidor em primeiro lugar, nos sabores com que ele irá harmonizar os vinhos.

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Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.