O presente que fica na memória

Seja para desfrutar na noite de Consoada ou para marcar uma ocasião solene muitos meses depois, oferecer uma garrafa de bom vinho no Natal é sempre boa ideia.

Na época festiva que se adivinha, somos frequentemente assolados pela dúvida quando chega a hora de escolher um presente para determinadas pessoas. Mas não tem de ser assim, até porque estamos num país de bons vinhos e, consequentemente, bons presentes. Oferecer vinho é uma opção acertada na maioria dos casos, por várias razões: é um presente que não distingue géneros ou idades, um presente que perdura no tempo - e a esta parte já voltamos - e que, acima de tudo, cria boas memórias.

Numa era em que tudo é massificado, o vinho é dos presentes que mais retém um caráter natural, onde as mãos de pessoas experientes ditam a sua qualidade e, por si só, já demonstra um carinho próprio pela tradição, pelas relações humanas, pela generosidade. O vinho é também algo que perdura, que convida a uma reflexão. Não será incomum que alguém que receba uma garrafa de vinho numa época festiva, prefira reservar esse vinho para uma ocasião especial ou até para partilhar com quem o ofereceu.

Seja qual for a razão que leva uma ou mais garrafas de vinho a conquistarem o seu lugar debaixo de uma árvore de Natal, o sucesso é praticamente garantido, especialmente quando são levados alguns aspetos em conta.

Durante esta época festiva, começa a ser usual encontrar formatos diferentes, nomeadamente as caixas com várias garrafas do mesmo vinho ou vinhos distintos de um mesmo produtor, entre tintos e brancos, por exemplo. Outro formato que tem vindo a conquistar o seu espaço nos momentos natalícios das famílias portuguesas são as garrafas magnum, com o dobro da capacidade de uma garrafa normal - ou seja, 1,5 L -, ideais para uma ceia com muitos participantes que sabem apreciar um bom vinho.

Nesta altura, e para verdadeiros apreciadores, é também indicado procurar vinhos excecionais, que pela sua maturidade, esculpida pelo tempo ou que por serem provenientes de colheitas famosas e sujeitos a processos de vinificação distintos e especiais, possam ser encarados como verdadeiras dádivas - daquelas que se guardam religiosamente numa garrafeira - e se abrem em situações quase solenes. De facto, não é todos os dias que recebemos como oferta um Porto Burmester Vintage 2016, um Moscatel de Setúbal José Maria da Fonseca Superior 10 Anos ou uma aguardente vínica Fim de Século Velhíssima, que conta com uns respeitáveis 25 anos, passados em barricas de Carvalho Francês.

Nas garrafeiras das lojas Continente, não será difícil encontrar a opção certa, desde que consiga vislumbrar um pouco da personalidade da pessoa a quem pretende oferecer este belo presente. Mas se a dúvida persistir - e para jogar pelo seguro - pode sempre optar por um cabaz de três ou seis garrafas, que sem dúvida vai fazer com que este Natal seja ainda mais especial, tanto para quem o recebe como para quem o oferece.

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1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.