Inteligência Artificial e saúde, uma relação incontornável

Num debate sobre a aplicação de IA no mundo da saúde, falou-se do futuro, dos benefícios do machine learning nesta área e de questões éticas. Qual é a grande vantagem de uma maior partilha de dados?

Já pensou como será a saúde no futuro? Quais serão as grandes evoluções que se irão observar? Fala-se de robótica, como de cirurgias por controlo remoto. Na verdade, graças à Inteligência Artificial (IA), mais especificamente, ao 5G, já se realizou a primeira neurocirurgia por controlo remoto. Este feito teve lugar na China e o paciente, portador de Parkinson, saiu ileso. O que se seguirá? Quando se olha para o futuro do mundo da saúde e a sua relação com a Inteligência Artificial, as hipóteses parecem ser infindáveis e incontornáveis. Por isso, é necessário debatê-las.

No âmbito do ciclo de conferências dedicado à Inteligência Artificial, mais especificamente, às suas aplicações, implicações e especulações, promovido pela Fidelidade e a Culturgest, realizou-se no grande auditório da Fidelidade, no dia 20 de maio, uma Talk sobre a Inteligência Artificial e o seu impacto na saúde.

O moderador do debate foi o jornalista João Tomé, do Dinheiro Vivo e do DN Insider, que foi acompanhado pelos oradores: Diana Prata, médica e fundadora da startup NeuroPsyAI, Luís Moniz Pereira, professor de Ciência da Computação e diretor do Centro de Inteligência Artificial na Universidade Nova de Lisboa; Maria João Sales Luís, administradora da Multicare; e Ricardo Gonçalves, Diretor do Center for Advanced Analytics da Fidelidade.

A ideia central do debate foi a de que a Inteligência Artificial pode ter um impacto bastante positivo na área da saúde, nomeadamente, no campo do diagnóstico e da prevenção.

Diana Prata explicou que o machine learning, aplicado ao reconhecimento de padrões, pode ser utilizado para ajudar a distinguir doenças neurodegenerativas de sintomatologia parecida, como o Alzheimer e o Parkinson, numa fase bastante inicial. Desta forma, existe um tratamento mais rápido e eficaz. A investigadora acredita que a IA pode vir a fomentar um sentido mais humano na relação médico-paciente, uma vez que com a carga de diagnóstico aliviada, os médicos têm mais tempo para acompanhar os pacientes.

No âmbito dos seguros de saúde, a IA também tem sido uma mais-valia. Graças à utilização do data analytics e do machine learning, a atividade seguradora consegue reconhecer padrões, prever e antecipar possíveis situações de saúde e, consequentemente, providenciar um aconselhamento mais rigoroso e personalizado ao cliente, segundo Maria João Sales Luís.

A introdução da IA no mundo da saúde permite assim uma atitude preventiva mais ativa e consciente, como a cuidados mais personalizados. Porém, personalização de serviços exige uma maior partilha de dados pessoais, o que levanta questões éticas. Face a esta temática, Diana Prata inverteu a questão, colocando-a da seguinte forma: "Quão ético será a proteção desmedida de dados?", tendo em conta as soluções que se podem providenciar perante tanta informação. "Os dados são muito valiosos, pois podem ajudar a perceber padrões, o porquê de certas situações (...), podem ajudar a promover mais saúde ", explicou Ricardo Gonçalves.

Como argumentou Luís Moniz Pereira, estamos apenas a colher os primeiros frutos da grande árvore que é a IA, composta por vários ramos. Ainda há muitas soluções por aparecer e descobrir nas mais variadas áreas. Todavia, à medida que se for avançando, a questão da privacidade vs. os benefícios da partilha de dados será ainda mais marcante, demonstrando ser uma discussão incontornável e necessária, para o desenvolvimento de uma solução.

Num futuro mais próximo, discutir-se-ão as especulações que se fazem sobre a Inteligência Artificial, numa conferência que terá lugar na Culturgest, no dia 05 de junho. A entrada é gratuita.

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