Só este ano já fecharam 2177 empresas em Portugal

Comércio e construção contribuíram com mais de metade dos encerramentos.

Seis milhões de euros de dívidas, dos quais 3,5 milhões à Segurança Social, estão na base do fecho de portas da Manhentex, empresa têxtil de Barcelos. Um encerramento que atira para o desemprego mais cem trabalhadores, sem salários há cerca de dois meses. "O mais certo é que a fábrica não volte a abrir", admitiu à Lusa Manuel Sousa, do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes.

Segundo este dirigente, a administração prometeu avançar com o processo de insolvência até segunda-feira, para reestruturar o passivo, mas Manuel Sousa duvida da viabilidade prática desta intenção. "Não me parece que a Segurança Social vá viabilizar uma empresa neste estado", diz.

A confirmar-se o recurso aos tribunais, a Manhentex irá engrossar o número das insolvências em Portugal que, até ao final do primeiro semestre, levou já ao fecho de 2177 empresas, uma média de 12 por dia. Em termos percentuais, o crescimento é de quase 7%.

Mas se a comparação for feita com o primeiro semestre de 2009, os números disparam: o crescimento é de 19,5%, correspondente a um aumento de 355 casos.

Para o economista Daniel Bessa, o número de insolvências em si não é o mais relevante. "Com o agravamento da crise que todos conhecemos, não creio que seja nada de extraordinário. Falir uma empresa nunca é uma boa notícia, mas este é um jogo que tem as suas regras. O importante é que haja mais emprego e mais valor criado nas novas empresas que nascem do que nas que desaparecem", defende.

Bessa admite mesmo alguma surpresa pela forma como o País vai resistindo à situação. "O mais grave, até agora, foi a redução no subsídio de desemprego para centenas de milhares de pessoas, porque, ao nível do agravamento da carga fiscal, as pessoas de rendimentos mais baixos têm sido poupadas. Têm sido as classes média e alta as mais afectadas, mas esses lá vão podendo pagar", diz. O pior, admite, "é não haver empresas novas que criem emprego e rendimento".

Já o liquidatário judicial Luís Gomes lembra que hoje assiste-se a um número elevado de insolvências, também de pessoas singulares. E acredita que a tendência será para o agravamento da situação (ver depoimentos).

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