Sector eólico precisa de um plano de médio e longo prazo

Empresários reunidos em Fortaleza, no estado brasileiro do ceará, acreditam que o Brasil tem um grande futuro no sector de renováveis, "mas precisa de um plano de médio e longo prazo para oferecer segurança aos investidores".

"Esse é um caminho sem volta, mas é necessário que o Governo apoie o desenvolvimento de uma indústria local, que possa conviver com o mercado internacional", disse à Lusa o presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil.

Para Rómulo Alexandre Soares, o país poderá transformar-se num potencial exportador de tecnologia.

"Nesse sentido, empresas portuguesas como EDP e Martifer têm relevante valor agregado para a consolidação do mercado de renováveis, em especial de eólica e fotovoltaica", afirmou à margem do Power Future 2009 - Exposição Internacional e Seminários das Energias Alternativas e Renováveis, que decorre em Fortaleza, Ceará.

Dados do Atlas Eólico Brasileiro indicam que potencial do sector chega a 143 000 MW, sendo que 7.694,05 MW já autorizados.

"Mas a tecnologia eólica evoluiu e creio que esse número deverá aumentar de 50 a 100 por cento", pontuou o director do Programa de Incentivo às Fontes de Energias Alternativas (Proinfa) na Eletrobrás, Sebastião Florentino da Silva, presente no evento.

O director reconheceu que o sector precisa de um plano para pelo menos 10 anos. "Esse horizonte deverá ser definido pela Empresa de Pesquisa Energética", disse, ao anunciar que a Elebrobrás acredita nas energias renováveis e vai a actuar também como investidor.

No cenário do Power Future, que iniciou a série de debates na segunda-feira, não faltaram reclamações sobre a incerteza dos leilões específicos para eólicas, da imposição do índice de nacionalização dos equipamento e de uma alíquota de 14 por cento para máquinas importadas.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Afonso Carlos Aguilar, sugeriu uma "rápida definição na forma de cadastramento dos projectos, incentivos fiscais à indústria nacional e leilões pré-definidos para 10 anos"

Para o empresário Armando Abreu, presidente de honra do encontro de renováveis que decorrerá até quarta-feira, o diálogo sobre políticas do sector funciona como um instrumento "importante para os avanços técnicos e de mercado".

"A expectativa é tornar a Power Future um centro de negócios", assinalou, ao lembrar que o Ceará é o estado brasileiro com maior número de projectos em operação e construção.

Abreu sinalizou ainda que o estado abriga o Porto do Pecém, "estratégico para o um cluster eólico e o desenvolvimento de outras fontes de energia."

As Câmaras Portuguesas no Brasil, que identificaram as oportunidades para o sector no Brasil, definiram que as novas edições do encontro serão no Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, ambos com potencial eólico.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG