Prestação da casa sobe 70 euros em apenas um ano

Banco Central Europeu subiu ontem os juros para 1,5% e sinalizou novos aumentos. Subida era esperada e famílias com empréstimos revistos em Junho já estão pagar.

A expectativa concretizou-se. O Banco Central Europeu subiu ontem a sua principal taxa de juro para 1,5% e deu sinais de novos aumentos, o que vai obrigar as famílias a pagar mais pelo empréstimo da casa. Quem contratou um crédito de 150 mil euros em Junho de 2010 está agora a pagar mais 70,27 euros por mês do que há exactamente um ano.

Antecipando as decisões do BCE, a Euribor, o indexante mais usado nos empréstimos à habitação, iniciou há vários meses uma tendência de subida, que desde Março se tem mantido constante e mais acentuada. Para os milhares de famílias com crédito hipotecário a taxa variável (a opção em mais de 80% dos casos) este movimento tem um reflexo imediato nos seus bolsos pelo aumento da prestação mensal, quando chega o momento da revisão. Simulações realizadas pelo DN/Dinheiro Vivo mostram que quem contraiu um crédito de 150 mil euros, a 30 anos, com revisões semestrais, viu a prestação de Junho ser fixada em 751,05 euros, o que reflecte um agravamento de 70,05 euros.

Por comparação com o valor pago em Dezembro de 2010, este mesmo crédito teve um aumento mensal de 43,46 euros (ver infografia). Quem for agora contratar um empréstimo também será confrontado com taxas de juro e spreads mais altos.

Pela segunda vez este ano o BCE decidiu mexer na sua principal taxa de referência, subindo-a novamente 0,25 pontos percentuais e a expectativa é de que a instituição liderada por Jean-Claude Trichet decida novos aumentos ao longo dos próximos meses. Na habitual conferência de imprensa após estas reuniões mensais, o presidente do BCE referiu que a "política monetária permanece acomodatícia", precisando ainda ser "essencial que os recentes desenvolvimentos quanto a preços não venham a dar origem a pressões de inflação generalizadas no médio prazo". Trichet recusou adiantar o sentido das próximas decisões - "vão ver o que fazemos quando chegar o momento" -, mas o mercado habituou-se a ler nas expressões como "acomodatícia", "monitorização", sinais de que novos aumentos estão na calha.

E é de facto esta a expectativa de vários economistas e analistas, ainda que todos apontem a necessidade de o BCE ter em conta o difícil equilíbrio entre o risco da crise nos mercados de dívida soberana e o da subida da inflação potenciada pelos países da Zona Euro que estão a recuperar.

Face a toda esta situação, João Fernandes, economista da Deco, avisa que este não é o momento para contrair novos créditos. Para quem já os tem, o seu conselho é que se prepare para novas subidas e tente criar folga. "Se não for possível, há que tentar renegociar prazos e condições, mas antes fazendo bem antes as contas."

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