Portugal será despromovido até fim de Março

S&P, Moody's e Fitch não esperam pela execução orçamental do 1.º trimestre nem pelo resultado da cimeira europeia.

As três agências de rating que avaliam o risco de crédito de Portugal e ajudam de forma decisiva a definir as taxas de juro suportadas pelo Governo, bancos, famílias e empresas, não pretendem esperar pela execução orçamental do primeiro trimestre, nem pelos resultados da importante cimeira europeia de 24 e 25 de Março, nem tão-pouco pela amortização de uma grande tranche de dívida pública (4,5 mil milhões de euros) em meados de Abril.

Contactadas pelo DN, as empresas mantêm ipsis verbis a avaliação negativa da economia, as dúvidas orçamentais e indicam que, até final de Março, Portugal deverá sofrer uma rajada de cortes no rating. Ou seja: a credibilidade do País será ainda mais afectada e os juros subirão mais, como aconteceu na Irlanda e na Grécia.

A desclassificação iminente acabará por reflectir a situação adversa que o País já vive nos mercados de financiamento e, claro, pode ser o golpe derradeiro antes de a República pedir ajuda à Europa/FMI, como esperam estas agências. Elas reparam que Portugal está isolado nos seus problemas e frisam que a Espanha é cada vez menos uma pedra no sapato da Zona Euro: os espanhóis prometem crescer mais (Portugal arrisca nova recessão), o défice externo de Espanha está a cair mais, a dívida pública pesa menos.

Douglas Renwick, analista da Fitch que segue Portugal, disse ao DN que, mesmo que o Governo consiga convencer a agência de que está no caminho certo para reduzir o défice até 4,6% este ano, a decisão sobre o rating, neste caso um corte, será tomada à parte. "Teremos uma melhor ideia sobre se o Governo está no caminho para atingir a meta de défice de 2011, ou se precisará de implementar medidas orçamentais adicionais. Esta posição não se refere à possibilidade de uma acção no rating", diz. A Fitch cortou o rating a 23 de Dezembro, colocando-o em risco de desclassificação (outlook negativo). Normalmente, a agência resolve se corta ou não num prazo de três meses. O limite é 23 de Março.

A Moody's tem um diagnóstico parecido: a anemia económica e o risco de a austeridade orçamental não se traduzir na prática são factores que ajudam a justificar o corte de um ou dois níveis no rating da República, como disse a 21 de Dezembro. Fonte oficial diz: a Moody's demora "cerca de três meses" a decidir. O limite é 21 de Março. É "improvável" que o País evite a desclassificação.

Idem no caso da Standard & Poor's, que lançou o alerta a 30 de Novembro. A economia deve ter uma recessão de "-2% em 2011", "não reduziu o enorme défice externo" e o Governo "fez poucos progressos em reformas para potenciar o crescimento", designadamente na flexibilidade laboral e produtividade, relembra fonte oficial da S&P, que deve pronunciar-se no início do próximo mês.

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