Portugal é 7.º a contar do fim nos salários da OCDE

Impostos e contribuições dos trabalhadores estão entre os mais baixos da OCDE, mas o mesmo não acontece com contribuições das empresas. Comparação tem em conta custo de vida.

Há apenas seis países na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) com salários brutos médios mais baixos do que Portugal. A comparação, que tem em conta o nível do custo de vida em cada país, consta de um relatório ontem divulgado pela OCDE, numa altura em que empresas e economistas defendem a redução de salários como alternativa ao desemprego. O documento Taxing Wages 2007/ /2008 também revela que os impostos e as contribuições pagos pelos trabalhadores em Portugal estão entre as mais baixas do conjunto de 30 países da OCDE.

O rendimento do salário bruto assumido para Portugal corresponde a aproximadamente metade do que é registado na Alemanha ou no Reino Unido. Republica Checa, Polónia, Hungria e Eslováquia são os quatro países europeus abaixo de Portugal, aos que se somam a Turquia e o México. A comparação é feita em paridades de poder de compra, mas a OCDE também apresenta o valor em moeda nacional: 16 772 euros brutos por ano.

Os trabalhadores portugueses são os que pagam a nona taxa mais baixa em impostos sobre o rendimento (IRS) e em contribuições para a Segurança Social. A OCDE calcula que uma pessoa solteira e sem filhos pague 22,8% sobre o rendimento do salário bruto, percentagem composta pela taxa da Segurança Social (11%), e pelos impostos sobre o rendimento do trabalho (11,8%). Alemanha, Bélgica e Dinamarca lideram a lista, enquanto a Espanha e a Irlanda estão entre os países que apresentam taxas mais baixas.

Não admira, por isso, que Portugal também surja como um dos países com mais baixos custos do trabalho (8.º lugar a contar do fim). Mas apesar das responsabilidades do trabalhador com o Estado pesarem pouco (18,4%) em termos relativos, as contribuições pagas pelos empregadores à Segurança Social justificam quase um quinto dos custos laborais. Equivalem a 19,2%, quatro pontos acima da média da OCDE.

A avaliar pelas últimas previsões macro-económicas, o poder de compra dos trabalhadores portugueses deverá sofrer com a crise. A Comissão Europeia projecta para este ano uma queda de 0,4% no salários em Portugal, em termos reais. Nos últimos meses multiplicou-se o recurso ao lay-off. Empresas e economistas defendem outras formas de redução de salários, alegando que essa é a alternativa ao desemprego.

Já os pagamentos à Segurança Social serão agravados. O novo Código das Contribuições, que alarga a base de incidência contributiva, entra em vigor em Janeiro de 2010. O Governo optou, contudo, por diferir no tempo o impacto das novas regras, adiando a aplicação integral para 2012.

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