Os primeiros ginásios onde o "homem não entra"

O negócio dos ginásios está a explodir no Algarve e como as mulheres são as principais clientes começam agora a aparecer ginásios direccionados para o público feminino, onde "homem não entra".

Em Faro, os ginásios para senhoras - com sessões de treino e máquinas mais adequadas à anatomia feminina -, parecem estar a fazer sucesso, mas os gerentes dos ginásios mistos desconfiam da eficácia daquele modelo de treino.

A corrida aos ginásios começa normalmente alguns meses antes do Verão, mas acalma no pico da época balnear, altura em que alguns fecham porque a maioria dos clientes estão de férias, retomando a actividade em Setembro.

A Indústria do "fitness" quase duplicou em Portugal no espaço de oito anos, passando de 600 clubes no ano 2000 para 1.400 clubes em 2008, segundo dados da Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal (AGAP).

Com cerca de 600.000 membros - o que representa cerca de 430 membros por clube -, Portugal continua, contudo, a ter uma taxa de penetração reduzida na população (cerca de 6 por cento), quando comparado com outros países.

Na capital algarvia existem pelo menos três ginásios exclusivamente femininos - dois dos quais abriram este ano -, espaços onde as mulheres podem dar asas aos seus planos de exercício, longe dos olhares masculinos.

A ideia pode ser apetecível para algumas mulheres, mas responsáveis por ginásios mistos existentes em Faro confessaram à Lusa duvidar dos métodos de treino específico usados, supostamente mais fáceis e rápidos.

Vanessa Domingos, sócia-gerente do "Gimnofit", que abriu em Janeiro 2008, diz considerar que estes ginásios "têm uma boa estratégia de marketing", mas acha que as pessoas "acabam por se aborrecer".

"Acredito que há espaço para todos os ginásios, desde que não se tentem atropelar uns aos outros", afirmou à agência Lusa, admitindo que os ginásios femininos acabam sempre por "roubar alguns clientes".

Já Cláudio Silva, gerente do "Club L", também em Faro, considera que os ginásios destinados apenas a senhoras são um conceito "interessante" e "diferente", mas onde haverá maior rotatividade de sócios.

"Do ponto de vista técnico considero que esse tipo de ginásios são mais discutíveis", afirma o gerente daquele espaço, que abriu em Abril de 2006 e que tem desde há um ano em funcionamento um SPA, que complementa ao ginásio.

Com cerca de 60 por cento dos sócios do sexo feminino, Cláudio Silva diz que, ao contrário do que seria de esperar com a crise, no "Club L" houve um "enorme crescimento face ao ano anterior", quer no número de adesões, receita e adesão a serviços extra.

Do outro lado estão os responsáveis pelos ginásios femininos, que consideram que o seu método de treino específico para mulheres é mais adequado, centrando-se em circuitos mais rápidos e fáceis.

A marca "Vivafit", pioneiro no lançamento em Portugal do conceito de ginásios para mulheres e cuja rede dispõe de mais de 100 espaços, também já se estabeleceu no Algarve e tem conquistado o público feminino.

Anabela Gomes, de um dos ginásios "Vivafit" que existem em Faro, considera que existe "bastante mercado para explorar" na capital algarvia, porque "felizmente" as pessoas estão a incluir cada vez mais a prática de exercício físico nas suas vidas diárias e na prevenção de várias doenças.

Jacinto Teixeira, do "Feminis Fit", que abriu em Faro em Maio deste ano, optou por um ginásio deste género porque um ginásio misto seria um investimento muito grande e o mercado exclusivamente feminino está a crescer.

Com clientes cujas idades vão desde os 19 aos 70 anos, o responsável do ginásio queixa-se da fraca afluência, mas diz que já o esperava e usa como trunfo para atrair clientes a publicidade interna e o estabelecimento de protocolos com empresas.

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