Waydip - Energia e AmbienteUm sistema de energia que para funcionar... é só andar

Captar a energia produzida pelo movimento das pessoas e transformá-la em energia elétrica. É este o conceito por trás do sistema Wayenergy, que começou com um projeto académico e em dois anos conquistou seis distinções nacionais e internacionais. Este ano chegam ao mercado os primeiros produtos com este sistema incorporado.

Com 27 e 26 anos, Francisco Duarte e Filipe Casimiro ainda não são conhecidos na portaria das instalações da EDP em Moscavide. Mas é aí que desde o início do ano está instalada a Waydip, a empresa que criaram para desenvolver o sistema Wayenergy. Convidados pela EDP para se juntarem a outras start-up, contam facilmente o seu percurso. Mas quando se trata de falar sobre a entrada no mercado guardam a sete chaves a identidade das empresas com as quais estão a desenvolver produtos.

"O projeto já passou por várias fases. O primeiro protótipo que construímos surgiu no âmbito de uma cadeira de energias renováveis, na Universidade da Beira Interior (UBI)", conta Filipe. E, curiosamente, tudo começou por causa do concurso Ideias Luminosas, da EDP, que promovia a criação de soluções energéticas para habitações. Pensando no que poderia ser feito dentro de uma casa para gerar energia, focaram-se no movimento das pessoas. E a primeira tecnologia utilizada foi a piezoelétrica. Mas essa tecnologia tem um senão: "preço demasiado elevado e baixa geração de energia", explica Francisco.

Acabaram por não concorrer, mas não largaram a ideia, apostados em conseguir vencer este obstáculo. Foi já com recurso à tecnologia eletromagnética que participaram no concurso Inubi, da UBI. O júri gostou e venceram a edição de 2010, "um prémio de três mil euros que deu para o registo da patente e os protótipos seguintes", afirma Francisco. Dedicaram cerca de um ano à otimização do novo sistema e voltaram a ser recompensados: venceram o Prémio Richard Branson da EDP, em setembro de 2010, no valor de 50 mil euros, e, duas semanas depois, o Prémio ISCTE/MIT Portugal Venture Competition, de 100 mil euros.

Com o financiamento garantido, trabalharam na rentabilização do sistema. Centros comerciais, estações de metro ou aeroportos são sítios de aplicação-alvo. Tal como ginásios e discotecas. "No caso de uma estação de metro, colocando o sistema junto às bilheteiras, a energia aí captada poderia alimentar as bilheteiras", exemplificam.

Para além do financiamento, os prémios trouxeram outras vantagens. "A EDP tem uma rede de contatos muito grande o que facilitou a criação da nossa própria rede e os primeiros contatos com os clientes-alvo", assinala Francisco. E, no caso do MIT, permitiu-lhes ter formação na universidade norte-americana e perceber a realidade desse mercado "que é o grande alvo de qualquer empresa", diz Francisco. Até porque, adianta, "a projeção de vendas do nosso plano de negócios, estima que o mercado nacional represente apenas entre 7 a 10% das vendas".

Em termos de prémios, juntaram mais três ao currículo em 2011: venceram o Prémio Nacional de Inovação Ambiental, foram incluídos na lista elaborada pela Kauffman Foundation das 50 star-up mais inovadoras do mundo (onde constavam apenas três europeias) e ficaram em terceiro lugar no European Environmental Press Award.

Enquanto os primeiros produtos a utilizar este sistema vão chegar ao mercado este ano, Francisco e Filipe estão já a trabalhar num projeto para aproveitar a energia produzida pelo movimento de veículos, uma solução mais interessante do ponto de vista económico segundo as suas projeções. O portefólio de ideias destes engenheiros inclui outras soluções na área das energias renováveis. Mas para já têm toda a energia concentrada no Wayenergy.

› Sede Edifício Parkurbis - Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã

› Data de fundação Outubro de 2010

› Acionistas Francisco Duarte e Filipe Casimiro

› Trabalhadores 4

› Volume de negócios n.d.

› Ponto forte Criatividade e inovação