Salários baixos estão cada vez mais baixos

Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho apontam para um agravamento das diferenças salariais entre classes. Globalmente, os operários ganham quatro vezes menos do que os directores de empresas, e estão a afastar-se da média.

A remuneração recebida pelos profissionais com mais baixos salários está a afastar-se cada vez mais da média. Os últimos dados do Inquérito aos Ganhos, do Ministério do Trabalho, mostram que os dirigentes têm tido, ao longo dos últimos cinco anos, aumentos mais generosos do que quem está no nível profissional mais baixo.

O ganho médio dos cerca de 940 mil operários - grupo que inclui trabalhadores da construção civil, mecânicos, artesãos, operadores de máquinas, condutores de veículos e pessoal não qualificado do comércio e serviços, por exemplo - ascendia, em Abril de 2008, a 784 euros, o que representa 73,8% do valor correspondente à generalidade dos trabalhadores. Esta proporção caiu desde Abril de 2003, altura em que o ganho médio deste nível profissional representava 76% da média.

Corresponde a aproximadamente um quarto do que recebem os chamados directores de empresas, que no ano passado auferiam, em termos médios, 3136 euros por mês. Em causa estão, neste grupo, 95 mil pessoas, segundo dados solicitados ao Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP), responsável pelos inquéritos. A diferença entre os extremos revela um ligeiro agravamento: enquanto em 2003 os operários ganhavam 25,3% do que era pago aos dirigentes (valor que sobe para 26,3% no ano seguinte), em 2008 a proporção não supera os 25%.

"O posicionamento relativo do operário, do ponto de vista de uma evolução salarial acumulada ao longo dos anos recentes, tem-se degradado ligeiramente", conclui também o próprio GEP, no último boletim oficial sobre o tema.
O gabinete estatístico reconhece ainda que os dados relativos aos dirigentes poderão estar subvalorizados. "O pagamento de géneros, sendo conceptualmente parte integrante do ganho, tende a ser subavaliado ou simplesmente omitido por parte dos estabelecimentos. Ora, o pagamento em géneros assume precisamente no ganho dos dirigentes uma assinalável relevância", escrevem os economistas do GEP.

As conclusões são idênticas se em vez do ganho - que inclui horas extraordinárias e prémios regulares - for analisada a evolução do salário-base. E se em vez de cinco anos se considerar apenas o último. Entre 2007 e 2008, os dirigentes tiveram o maior aumento anual (5,7%), enquanto os operários tiveram o mais baixo (3%).

Estes dados, que se baseiam numa média, não permitem concluir que há um aumento generalizado das disparidades salariais. Mostram, contudo, que a desvalorização está em  determinadas profissões.

Além das duas categorias já referidas, o GEP considera ainda o grupo intermédio de empregados. São mais de 1,6 milhões de pessoas - que vão desde os economistas e engenheiros aos vendedores - que, globalmente, conseguiram, nestes cinco anos, aumentos acima da média.

Fenómeno semelhante verificou-se com os aprendizes, que estão abaixo dos operários. Ao DN, responsáveis do GEP desvalorizam, contudo, o peso deste último grupo, composto por profissionais em fase de transição - como os estagiários.

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