PJ apreendeu milhões em obras de arte a Rendeiro

Inspectores levaram quadros  e esculturas da casa do ex-presidente do BPP  e do Centro de Arte da Fundação Ellipse

As últimas buscas do caso BPP, que ocorreram no dia 11, não serviram apenas para a Polícia Judiciária procurar documentação. Os inspectores da Unidade Nacional contra a Corrupção também apreenderam um vasto conjunto de obras de arte que estavam na casa de João Rendeiro, ex-presidente do banco, e no Centro de Arte Contemporânea da Fundação Ellipse, uma instituição sediada em Alcoitão, Cascais, e ligada ao BPP. Fonte próxima da investigação confirmou ao DN a apreensão, acrescentando que o valor das obras de arte apreendidas ronda os 50 milhões de euros. José Miguel Júdice, advogado de João Rendeiro, também confirmou a recolha feita pela PJ.

A apreensão das obras de arte foi feita ao abrigo de um mandado emitido pela 9.ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, onde corre o processo (ver caixa). Ao que o DN apurou, os investigadores suspeitam, por um lado, que João Rendeiro tenha utilizado ilegitimamente dinheiro do banco para adquirir obras de arte e, por outro, investigam as relações comerciais entre a Fundação Ellipse e o BPP. Até que ponto, segundo uma fonte ligada à investigação, a primeira não era um veículo de branqueamento de capitais é uma das suspeitas em causa.

Contactado pelo DN, o advogado José Miguel Júdice confirmou a apreensão de obras de arte na casa de João Rendeiro. Porém, afirmou que, enquanto advogado do ex- -presidente do BPP, não irá contestar a diligência. "A casa e os restantes bens são propriedade de uma entidade externa. A haver algum tipo de contestação terá de ser esta e não João Rendeiro." Quanto às apreensões na Fundação Ellipse, Júdice não quis fazer nenhum comentário: "Terão de ser os advogados da Privado Holding [empresa proprietária do BPP] a decidir o que fazer", declarou.

De facto, segundo notícia recente do Correio da Manhã, a casa onde João Rendeiro e a mulher, mais uma empregada filipina, habitam está em nome de uma empresa offshore: a Corbes Group LLC, constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, mas, actualmente, com sede no Delaware, o paraíso fiscal norte-americano.

Uma fonte judicial, conhecedora do processo, explicou ao DN que, tendo em conta a dificuldade em se identificar o dono de um offshore (o ultimate beneficial owner), a investigação poderia avançar pelo lado contrário, isto é, pelo vendedor da casa, procurando identificar os circuitos de pagamentos feitos e se, de alguma forma, estes se encaminham para João Rendeiro como comprador.