O dinheiro está nas nossas mãos

Os novos padrões de consumo de lazer estão a mexer com as empresas que dominavam tradicionalmente a distribuição de conteúdos e de equipamentos.Até a televisão tradicional vai ter de se reinventar, pois metade dos consumidores já acede a conteúdos televisivos na Web.

A audiência da televisão tradicional está a mudar-se para o online e o 3D não está a funcionar. Vêm aí os tablets dinamizados pelo iPad da Apple que, como os telemóveis mais sofisticados (smartphones), também recebem conteúdos online a qualquer hora e local.

Na distribuição de vídeo pela Internet, "o conteúdo é rei", usando a frase do magnata dos media Sumner Redstone. Depois do texto e do som, as redes de banda larga fixas ou móveis estão a generalizar o acesso ao vídeo online.
Isto não significa que a televisão tradicional não vai reinventar-se, mas é um mercado competitivo, com novos intervenientes a disputar o bolo publicitário.
Apesar de 93% verem televisão tradicional, 50% dos consumidores já acedem semanalmente a conteúdos televisivos na Web, reconhece um estudo do ConsumerLab da Ericsson.

O "Multi Screen Media Consumption 2010" - realizado na Alemanha, China, Espanha, EUA, Reino Unido, Suécia e Taiwan - refere "que as pessoas actualmente passam até 35% do seu tempo de lazer a ver conteúdos de TV e vídeo" mas "que os consumidores estão a tornar-se cada vez mais conscientes das novas tecnologias, que, por sua vez, estão a criar novos padrões de consumo de media".

Uma das tecnologias mais prometedoras na televisão é o 3D. Há um ano que os fabricantes estão a incentivá-la, a disponibilizar aparelhos e os operadores a produzir conteúdos 3D.

No entanto, mesmo quem gosta de ver esses programas concorda que não é prático e dificulta a "multitarefa", é caro e faltam conteúdos. Tudo isto não gera ânimo na compra de novos televisores, segundo a análise, nos EUA, da empresa de estudos de mercado Nielsen e da Cable and Telecommunications Association for Marketing, revelada esta semana.

Quase 90% dos 425 inquiridos no estudo "Focusing on the 3DTV Experience" salientam que os óculos os impedem de realizar tarefas habituais e 57% declaram que não vão comprar um televisor 3D.

Curiosamente, os inquiridos viram inicialmente conteúdos em 3D mas, depois da visualização, a percentagem dos interessados em adquirir um desses televisores diminuiu.

Outro padrão de consumo de media passa pelos telemóveis. Neste caso, a mudança de paradigma passa pela introdução de sistemas operativos que, como na tradicional indústria informática, leva a ter aplicações para escalar o interesse pela escolha de um iPhone ou de um Android, por exemplo.
O utilizador tem agora de escolher um telemóvel adequado às aplicações que prefere - e a memória do que sucedeu na informática com os incompatíveis Macintosh e Windows não é de desprezar.

A tendência passa ao lado de quem quer o aparelho só para telefonar, mas, segundo um estudo do Pew Internet Project norte-americano divulgado esta semana, ela interessa à economia dos media.

São os jovens com mais educação quem mais consome notícias em aplicações de telemóvel, diz o estudo "The Rise of Apps Culture". 79% dos utilizadores entre os 18 e os 29 anos usam aplicações no telemóvel, baixando para 67% entre os 30 e os 49 anos e para metade acima dessa faixa etária. 90% dos que usam aplicações acedem a notícias online.

"Uma cultura das aplicações está claramente a emergir entre os utilizadores de telemóveis, particularmente homens e jovens adultos", reconhece Kristen Purcell, directora de investigação no Pew Internet Project. Para mais, é uma "cultura" disposta a pagar pelas aplicações: 37% tinham-no feito no mês anterior.

Esta evolução também vai verificar-se em Portugal com a maior aquisição de smartphones. No segundo trimestre do ano, as vendas desses aparelhos cresceram 79% relativamente ao período homólogo, e representaram um crescimento de 16% no total de 1,7 milhões de telemóveis vendidos nesse período, segundo o recente "Mobile Phone Tracker" da IDC. O Android é o segundo maior sistema operativo, depois do Symbian.

Outras duas tendências interligadas e com forte predominância actual é a integração das redes sociais como o Facebook e o Twitter nos smartphones, a que se junta a localização, proporcionando uma nova fase de geossocialização a que o marketing não vai ficar indiferente.

Sobrepondo a possibilidade de saber onde está o telemóvel com a transmissão de vídeo aceite pelo utilizador, é um mundo ainda por explorar mas de inegável potencial económico.