Montepio compra Finibanco por 250 milhões

Banca. Operação, num valor estimado de 250 milhões, vai hoje a aprovação do Conselho Geral do Montepio

A banca volta a agitar-se, depois da crise financeira. O Montepio Geral prepara-se para comprar o Finibanco, a instituição bancária detida pela família Costa Leite, num negócio que, estimam os analistas, pode representar um investimento superior a 250 milhões de euros. No momento que as acções do banco foram suspensas, o banco valia, em Bolsa, qualquer coisa como 259 milhões de euros. À hora de fecho desta edição aguardava-se, ainda, pelo comunicado das entidades envolvidas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) com mais pormenores sobre a operação.

Ao início da noite, a RTP dava ontem como certa a necessidade de o Montepio Geral ter de avançar com uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o Finibanco, instituição bancária controlada em quase 60% pela família Costa Leite, mas que conta com cerca de 20% do capital disperso no mercado.

Já o Económico online garantia que a operação de aquisição do Finibanco está ainda dependente de uma autorização formal e que a administração do Montepio deverá levar o negócio a deliberação da Assembleia Geral hoje mesmo, às 16.00. Garante, ainda, que a operação vai passar por uma compra do Finibanco e não por uma fusão das duas instituições.

A negociação dos títulos do banco liderado por Humberto Costa Leite foi suspensa pela Euronext Lisbon, a pedido da CMVM, cerca das 15.30, numa altura em que as acções valorizavam quase 14% (ver infografia) e, segundo a RTP, o regulador já terá entrado em campo para investigar eventuais situações de abuso de informação privilegiada, uma vez que, nos últimos três dias, as acções valorizaram 22%, com um volume de negócios muito acima da média.

A concretizar-se, a integração do Montepio e do Finibanco deverá dar origem a uma rede de distribuição com mais de 500 balcões, superior à do rival Banif, que, no final do ano passado, contava com pouco mais de 400 agências em Portugal. Já o banco liderado por António Tomás Correia conta com 327 balcões activos, enquanto o grupo de Humberto Costa Leite tem 173 agências em Portugal e quatro em Angola.

Em conjunto, as duas entidades deverão gerar um activo superior a 20 mil milhões de euros, sendo que só o Montepio por si conta com um activo líquido na ordem dos 17 mil milhões, de acordo com os dados do exercício de 2009.

Recentemente, o Finibanco havia procedido a um aumento de capital, de 20 milhões de euros para 180 milhões de euros, integralmente subscrito. Em Maio de 2009, a Assembleia Geral da instituição liderada por Humberto Costa Leite havia deliberado aumentar o capital social da holding de 115 para 175 milhões de euros.

O grupo Finibanco fechou 2009 com 9,4 milhões de euros de resultados líquidos, depois de em 2008 ter registado 57 milhões de euros de prejuízos, justificados com as imparidades na Galp Energia e na Sonae.

O banco anunciou um plano de investimentos de 3,2 milhões de euros na abertura de oito balcões no mercado angolano, sendo que pretendia fechar o ano com cinco - só tem para já quatro - e 2010 com dez agências do Finibanco Angola em funcionamento.

No primeiro trimestre de 2010, o Finibanco registou um crescimento dos lucros consolidados de 3,1% face ao período homólogo, totalizando 2,031 milhões de euros. Já o produto bancário cresceu quase 10%, para 41,9 milhões de euros. No mesmo período, o Montepio registou 20,2 milhões de euros de resultados.

O Montepio, que há alguns meses havia manifestado a intenção de comprar o BPN, ocupa agora o sétimo lugar no ranking dos maiores bancos nacionais, enquanto o Finibanco está na 18.ª posição.

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