Juros da habitação duplicam num ano

Escalada das Euribor acelerou em Abril, batendo máximos de dois anos. No prazo a um ano já ultrapassou os 2%. Mais dificuldades a somar à subida dos 'spreads'.

Os juros da habitação vão voltar a subir em Maio, com uma subida média mensal de 10% e cerca de 70% mais do que o nível praticado há um ano. Com a subida dos juros e dos spreads, quem for contrair um novo crédito à habitação no próximo mês pagará mais 132 euros do que em Maio de 2010, ou seja, mais 24%, de acordo com uma simulação feita pelo DN.

A escalada das Euribor, as taxas que servem de indexante ao cálculo dos juros da habitação, ao longo do mês de Abril fazia adivinhar este agravamento.

Assim, a Euribor a seis meses, o indexante mais usado, fechará o mês de Abril em torno dos 1,618% (média registada ontem), o valor mais alto desde Março de 2009. Esta média, que irá ser usada para o cálculo das prestações dos novos empréstimos a contrair em Maio e aplicada na revisão da prestação dos contratos em vigor que ocorra também no próximo mês, apresenta um acréscimo de 9,1% face à média de Março. Em relação ao seu valor registado em Abril do ano passado, a subida é de 70%.

Mas o agravamento maior é registado pela Euribor a três meses, igualmente muito usada no cálculo dos juros da casa. Quem optar por este indexante ao contrair um novo empréstimo, irá pagar mais 12% do que em Abril, com o valor médio a situar-se em torno dos 1,317%. Em relação ao valor de há um ano, a Euribor a três meses duplicou.

No prazo a um ano, a taxa Euribor vai fechar o mês com uma média superior a 2% (2,082% ontem), o que já não acontecia desde Fevereiro de 2009. Este valor reflecte um aumento de 8,2% face ao mês anterior e de 70% em relação a Abril do ano passado.

Não são, de facto, boas notícias para os cada vez menos portugueses que conseguem aceder a um empréstimo à compra de casa, face ao aperto dos bancos na concessão. Depois da subida das taxas do Banco Central Europeu (BCE), para 1,25% no início de Abril, e perante a perspectiva de novas subidas até final do ano, as taxas interbancárias Euribor aceleraram a subida.

A este aumento, os portugueses terão de acrescer spreads fortemente agravados pelo bancos, que colocam actualmente o seu valor médio nos 2,6 pontos percentuais.

Os bancos vão deixar de poder vender aos clientes que contratem um novo crédito, por exemplo, à habitação, produtos que não tenham garantia de capital.

Numa carta-circular, o Banco de Portugal definiu ontem um código de conduta para as vendas associadas facultativas, determinando que os bancos não podem associar à contratação de um crédito à habitação produtos que possam conter risco para os clientes, porque neste tipo de operações existe "dificuldade em assegurar que o perfil do cliente é adequado" a essas aplicações.

O supervisor determina que podem ser vendidos depósitos, mesmo que sejam considerados complexos, produtos de capital garantido a todo o tempo, contratos de seguro de capital garantido a todo o tempo, operações de crédito, domiciliação de pagamentos periódicos, bem como cartões de crédito, de débito e outros instrumentos de pagamento. Ficam de fora fundos de investimento.

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