Janeiro aumenta inscrições em 6,8%

? Depois de estabilizar em Dezembro, o número de inscritos nos centros de emprego aumentou 6,8% em Janeiro e 25,1% face a igual período do ano anterior, fixando-se em 560 mil, revelou ontem o boletim do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Apesar de os dados revelarem uma tendência de agravamento, o IEFP refere que as ofertas de emprego aumentaram 4,9% face a Dezembro e 30% face ao mesmo mês de 2009. Enquanto os partidos da oposição não perderam tempo para reclamar um novo modelo económico, que aposte menos no investimento público e mais no apoio às empresas, a CGTP chamou a atenção para o drama dos desempregados sem acesso a subsídio de desemprego, pois só cerca de 34% é que o recebem. Por outro lado, a Intersindical chama a atenção para o facto de haver mais de 73 mil trabalhadores que não foram considerados nas estatísticas, os chamados inactivos disponíveis - apesar da sua vontade para trabalhar- e mais de 67 mil empregados com horários reduzidos que queriam mais horas. Assim, "a taxa real de desemprego seria de 12,44%".

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

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Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.