Google cria YouTube Portugal para competir com o Sapo

Publicidade interactiva é alvo da Google. Subsidiária portuguesa espera lançar portal até ao fim deste ano.

A Google prepara-se para mexer no queijo do portal Sapo com o lançamento do YouTube Portugal, que deve ocorrer até ao fim deste ano. Segundo revelou ao DN/Dinheiro Vivo o director-geral da subsidiária portuguesa, Paulo Barreto, as negociações estão em curso e a expectativa é de que sejam concluídas brevemente, o mais tardar no início de 2012.

"Ainda estamos a fechar acordos com a Sociedade Portuguesa de Autores e enquanto isso não acontecer não podemos explorar publicidade no YouTube", explica Paulo Barreto, justificando o interesse. "Não existe um YouTube.pt e por isso temos alguma dificuldade e limitações para explorar a publicidade online", adianta o responsável.

O facto é que a Google tem um domínio esmagador na publicidade através de links patrocinados, devido aos 95% de quota que detém nas buscas - uma liderança anormalmente elevada e que se justifica pela ausência de serviços localizados para Portugal dos maiores players a nível mundial, nomeadamente Yahoo! (que tem um papel importante nos Estados Unidos) e Microsoft (que está a preparar a localização do Bing.pt).

No entanto, o mesmo não acontece com a chamada "display advertising", ou anúncios com conteúdos multimédia. São aqueles vídeos e banners interactivos que aparecem nas páginas ou antes de um vídeo e que têm um impacto visual tremendo. A nível mundial, a empresa que mais cresce neste segmento é o Facebook.

No entanto, em Portugal o número um é o Sapo, que tem uma presença muito forte na partilha de vídeos com o Sapo Vídeos. O grande objectivo da Google é vender este tipo de publicidade digital no YouTube e ultrapassar o portal Sapo.

O director-geral salienta que o YouTube até já está traduzido (embora por vezes com termos em português do Brasil). O problema nem é o acesso dos consumidores portugueses aos conteúdos, é mesmo a capacidade de vender publicidade.

"Hoje não é possível comprar nada na homepage do YouTube" exemplifica o director. Uma vez que este é um mercado muito lucrativo - segundo a eMarketer, a Google prepara-se para arrecadar mil milhões de dólares (700 milhões de euros) só nos Estados Unidos com este tipo de publicidade. Em Portugal, quer destronar o portal da PT atirando o YouTube.pt contra o Sapo Vídeos.

"Acredito que, quando lançarmos o YouTube em Portugal, podemos ser também número um", adianta Paulo Barreto, afirmando que neste momento a Google é "provavelmente o número dois, a seguir ao Sapo".

A demora não se deve a burocracia ou desacordos, mas sim ao volume de trabalho da equipa da Google que negoceia os termos legais em vários países europeus. É uma equipa restrita, de poucas pessoas, que está a negociar acordos semelhantes em meia dúzia de outros países; é provável que Portugal não seja prioritário neste caso.

Ainda assim, Paulo Barreto mostra-se confiante. "Estamos a trabalhar nesse sentido e espero que em breve possamos lançar comercialmente o YouTube Portugal", conclui o responsável.

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