Famílias já entregaram 1750 casas aos bancos

Até Abril, o acréscimo homólogo é de 2,3%. Mas a APEMIP receia que dação de casas esteja a piorar em Maio

As famílias e os promotores imobiliários em dificuldades financeiras já entregaram este ano (de Janeiro a Abril) 1750 casas aos bancos em dação, em resultado do incumprimento no pagamento dos créditos. É a crise, por via do desemprego, a atingir em força o bem que todos procuram preservar em última instância, a habitação.

Este nível de entregas resultantes da execução de hipotecas está ligeiramente acima do verificado no período homólogo de 2010, ou seja, mais 2,3%. No total do ano passado, os bancos receberam mais de 5800 imóveis, dos quais cerca de 1500 só foram entregues em Novembro e Dezembro.

Os dados são apurados pela Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que elabora um índice de incumprimento imobiliário. Nos primeiros quatro meses deste ano, verifica-se um ligeiro abrandamento neste fenómeno da dação à banca face ao final de 2010, com uma média mensal de 450 imóveis entregues. Em Abril, este número foi de 440 imóveis, um dos menos penalizadores dos últimos meses.

Como referiu ao DN o presidente da APEMIP, Luís Lima, os primeiros quatro meses do ano "não foram muito problemáticos". "Mas receio que a situação esteja a piorar", disse.

Este responsável explica que "tradicionalmente, no início de cada ano, as pessoas tentam aguentar a situação e fazem tudo para não entregar a casa ao banco". No entanto, com o avançar dos meses - e, particularmente este ano, face às incertezas quanto ao futuro político e económico do País -, "os particulares e os promotores imobiliários começam a desistir", acrescentou. Isto explica que o maior número de dações ocorra no final do ano, quando os bancos também pressionam para encerrar os litígios, de modo a acertarem as suas contas.

Quase metade destas entregas de imóveis feitas no primeiro quadrimestre do ano ocorreram na Área Metropolitanas de Lisboa e do Porto, mais precisamente 44,9%. Mas é na capital do Norte que o problema assume maior dimensão, com 21% das dações ocorridas este ano a terem lugar no distrito do Porto. Lisboa registou 17,2% do total.

Dos dez municípios mais penalizados pelo incumprimento e pela consequente entrega de imóveis, apenas quatro não pertencem às duas áreas metropolitanas (Ponta Delgada, Portimão, Loulé e Braga).

Em termos de concelhos, Vila Nova de Gaia apresenta-se com o mais problemático, seguido de Sintra e Ponta Delgada. Ainda no Norte, surge em quarto lugar Vila do Conde.

São, pois, os concelhos suburbanos das duas grandes metrópoles nacionais que apresentam o maior número de imóveis nas mãos dos bancos. E aqui tem também destaque o facto de boa parte das casas entregues nestes concelhos pertencerem a promotores imobiliários, muitos deles em processo de falência, que as entregam às instituições de crédito sem chegar a vendê-las.

Luís Lima alerta para o risco que este fenómeno representa na desvalorização do preço das casas.

"Podemos ter a seguinte situação em dois edifícios vizinhos: num o promotor está a vender uma casa nova por um determinado preço e noutro ao lado um banco tenta vender um imóvel idêntico, que recebeu em dação, por um preço de 30 a 40% mais baixo", exemplifica o responsável.

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