EDP tranquila com novos accionistas

CEO da eléctrica nacional quer garantir que todos os parceiros continuam a contribuir para os objectivos e para o crescimento da empresa.

A venda da participação dos 25% que o Estado ainda detém na EDP e o fim dos direitos especiais que essa posição carrega abriram uma caixa de Pandora na gestão da EDP. A empresa fica mais vulnerável a uma OPA e a entrada de novos accionistas pode perturbar o caminho que a empresa seguiu até aqui, levando-a a países como EUA, Espanha ou Brasil e conseguindo negócios que lhe permitiram ser a maior empresa nacional, com lucros de mais de mil milhões de euros em 2010.

Contudo, o presidente da EDP, António Mexia, não está preocupado. "A prioridade é satisfazer aquilo que o accionista Estado fez no contexto de defesa dos interesses da companhia e de todos os accionistas", disse o CEO da empresa ao Diário de Notícias/Dinheiro Vivo, à margem da entrega do prémio de gestor ibérico do ano, atribuído pela Câmara do Comércio e Indústria Lusa-Espanhola esta quarta-feira.

Para António Mexia, o que se pretende é que, mesmo com a entrada de novos accionistas, tanto estes como a gestão continuem a "controlar o destino da empresa", ou seja, que continue a internacionalizar-se e a crescer .

Para isso será preciso escolher bem os accionistas a entrar ou a reforçar a sua posição na EDP. Neste momento, pelo menos cinco empresas e entidades já se mostraram interessadas em participar no processo de privatização da companhia e uma delas já recebeu o aval de António Mexia. No início desta semana, o CEO da EDP referiu aos jornalistas que a entrada da brasileira Eletrobras "fazia sentido" porque as duas empresas já são parceiras no Brasil.

Sobre as restantes ainda não houve quaisquer comentários por parte da EDP, até porque, até agora, só a Eletrobras oficializou o seu interesse, ao enviar uma carta à Parpública, a detentora da participação do Estado na EDP. Pelo menos duas dessas empresas interessadas não devem suscitar grandes receios, uma vez que já são accionistas da empresa.

É o caso do fundo IPIC, do Abu Dhabi, e da argelina Sonatrach. A China Power Internacional, com a qual a EDP tem uma parceria, é outras das interessadas que também não deverão levantar questões.

No bolo das interessadas incluem-se ainda a InterOceânico, empresa que agrega investidores angolanos, israelitas e portugueses, avançou ontem o Jornal de Negócios, e ainda o Governo de Timor, segundo o Diário Económico no final do ano passado.

De acordo com os analistas contactados pelo DN/Dinheiro Vivo, a EDP já era uma empresa bastante apetecível para os investidores e agora vai ser ainda mais porque, com o fim dos direitos especiais do Estado, como aprovado terça--feira em Conselho de Ministros, os seus estatutos serão desbloqueados e todos os accionistas poderão votar com a participação que têm.

A data já sabe - Setembro de 2011 -, falta agora saber que modelo de privatização vai ser adoptado pelo Estado.