Desemprego ultrapassou os 10%

563 300 pessoas sem trabalho batem recorde de 30 anos. Tendência continua a agravar-se em 2010

Pela primeira vez nos últimos 30 anos, o desemprego ultrapassou a temível barreira dos 10%, ficando nos últimos três meses de 2009 em 10,1% e afectando 563 300 pessoas, segundo dados ontem revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Embora os números não sejam particularmente surpreendentes, indicam uma tendência de agravamento: não só se deu um aumento de 28,7% na população desempregada em termos homólogos, como o mesmo se verificou face ao trimestre anterior, com um aumento de 2,8%. E os dados do IEFP, de Janeiro, confirmam a tendência(ver em baixo).

Em média, no ano passado, a taxa de desemprego foi de 9,5%, mais 1,9 pontos percentuais do que no ano anterior, tendo a população empregada descido 2,8%.

A análise dos dados mostra que o desemprego se agravou sobretudo devido à perda de emprego das pessoas com mais de 45 anos (mais 54 200 indivíduos) e do grupo etário entre os 35 e os 44 anos, segmento que conta agora com mais quase 35 mil pessoas. Mas, como refere o INE, o fenómeno foi transversal a "todos os grupos etários", sendo que entre os jovens (dos 15 aos 24 anos), a taxa de desemprego chegou aos 20%, ou seja, mais de 100 mil pessoas.

Notícia menos má só mesmo a quebra do número de de-sempregados licenciados, que baixou 3100 em termos homólogos. Um movimento que tanto pode estar relacionado com o facto de as empresas estarem a substituir pessoal mais velho por jovens mais baratos, como com a crescente, mas não quantificada, emigração de jovens licenciados. O mesmo não se pode dizer dos grupos menos qualificados, em que estão desempregados 104 mil indivíduos com o ensino básico e 24 500 com o ensino secundário e pós-secundário.

Os sectores da indústria, construção, energia e água foram os que mais contribuíram (com quase 75 mil indíviduos) para o aumento do número de desempregados à procura de novo emprego, que totalizou 104 300 pessoas. O secretário de Estado do Emprego diz não ver razão para rever as previsões do Governo, que apontam para uma taxa de desemprego de 9,8% para este ano. Walter Lemos admite uma subida nos primeiros meses, mas uma descida no final do ano.

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