Crédito à habitação: mais caro e mais raro

É cada vez mais difícil encontrar bancos dispostos a financiar crédito à habitação e quando o fazem cobram 'spreads' muito elevados.

Ésurpreendente a forma como, mês após mês, os bancos continuam a subir os spreads mínimos e máximos. Após tantos anos de concorrência agressiva, em que os bancos se digladiavam para ver quem oferecia a taxa mais baixa, actualmente parece que os bancos estão a competir para ver quem oferece o spread mais alto.

Mas não é só ao nível dos spreads que os bancos demonstram o seu reduzido interesse em financiar crédito à habitação. Esse desinteresse é evidente em todo o processo de concessão de crédito à habitação, sendo muitos os bancos que quase sugerem aos clientes que vão pedir crédito a outras instituições.

A situação actual deve-se à conjuntura absolutamente anormal em que nos encontramos. Devido ao sobreendividamento do Estado, os bancos nacionais deixaram de ter acesso ao mercado interbancário internacional.

Aliás, se o Estado português paga 13% nas obrigações a 10 anos e teoricamente é a entidade com menor risco em Portugal, pois pode lançar impostos, dificilmente os bancos poderiam fazê-lo através de obrigações pagando menos de 14% ou 15%.

Adicionalmente, e devido ao facto de, até há algum tempo, todo o crescimento dos bancos ter sido feito através da concessão de crédito e de agora os bancos possuírem um desequilíbrio muito forte entre crédito e recursos, irá existir um esforço muito grande para melhorar o rácio de transformação que passará por tentar captar mais depósitos e dar o mínimo de crédito possível.

Assim, neste momento, será muito difícil para um banco português, que tem como objectivo reduzir o seu rácio de transformação e aumentar o seu rácio de capitais próprios, estar a consumir recursos preciosos com a concessão de crédito à habitação. Até porque será porventura mais fácil atingir o objectivo de alcançar um rácio de tier 1 (capitais próprios/activo) de 9% em 2011 e 10% em 2012 controlando o crescimento do crédito do que fazendo aumentos de capital com o preço a que estão as cotações dos bancos portugueses. Não é fácil, para um accionista que está a sofrer perdas substanciais, ter de injectar ainda mais dinheiro, pelo que provavelmente o Estado terá de contribuir para o reforço dos capitais dos bancos.

Neste momento, a preocupação quanto à atractividade do spread é completamente secundária, pois a raridade do crédito é tal que os clientes a quem o seu crédito à habitação for aprovado deverão sentir-se afortunados e estar dispostos a pagar caro por esse privilégio.

Assim, se antes era aconselhado às pessoas que pedissem propostas a vários bancos de modo a poderem escolher a oferta que lhes fosse mais favorável, hoje deverão fazê-lo também, mas com o objectivo de encontrarem um banco que esteja disposto a financiá-las.

Como habitualmente, para as pessoas que andam à procura de um crédito para a compra de casa, apresentamos no quadro abaixo o resumo das ofertas actuais de crédito à habitação dos principais bancos.