BES rompe contrato com Fitch após corte no 'rating'

O Banco Espírito Santo (BES) anunciou hoje que cancelou o contrato com a agência de notação financeira Fitch, depois de esta ter revisto em baixa os 'ratings' de cinco bancos portugueses, entre os quais o BES.

"O Banco Espírito Santo considera que não há uma justificação válida para um corte de três posições [no seu 'rating'] em menos de quatro meses. Portanto, a comissão executiva decidiu terminar o contrato com a Fitch Ratings devido a estas ações", revelou o banco liderado por Ricardo Salgado num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

A agência de notação financeira Fitch cortou os 'ratings' da dívida de longo prazo do BCP, BES, BPI e Banif, devido aos riscos relacionados com o financiamento e a liquidez, e ainda os 'ratings' individuais da CGD, BCP e BES.

Entretanto, o banco público, o Banco BPI e o Espírito Santo Financial Group (ESFG) - ficam apenas a faltar as comunicações do BCP e do Banif - também já reportaram à CMVM as revisões em baixa dos seus 'ratings' mas, ao contrário do BES, não anunciaram o fim dos contratos que têm com a Fitch.

Recordando que a mesma agência já tinha, a 21 de Julho, revisto em baixo o 'rating' dos principais bancos portugueses, o BES argumentou no comunicado de hoje que "na informação financeira divulgada no passado dia 2 de Novembro ficou evidente o processo de deleverage iniciado pelo BES que produziu já efeitos significativos nomeadamente no rácio de crédito sobre depósitos, que diminuiu de 198 por cento para 171 por cento em apenas um trimestre".

Adicionalmente, segundo o banco liderado por Ricardo Salgado, "o BES reduziu a utilização de fundos do BCE de 6 mil milhões de euros (líquidos) em Junho de 2010 para 4,3 mil milhões de euros em Setembro" e "os actuais activos elegíveis para redesconto junto do BCE (líquidos de 'haircuts') ultrapassam as necessidades de refinanciamento para 2011".

O BES realçou também que "não tem necessidades de refinanciamento de médio/longo prazo no quarto trimestre de 2010 e que, nos primeiros 4 meses do ano, as necessidades de médio/longo prazo foram refinanciadas com emissão de divida no mercado ao abrigo do programa de EMTN e com emissão de Obrigações Permutáveis com acções do Bradesco e da EDP".

E concluiu: "O 'rating' de BBB+ atribuído pela Fitch Ratings não reflecte a solidez financeira do Banco. O BES provou deter uma solidez que lhe permite enfrentar os actuais desafios, mantendo um perfil robusto".