GM paga com falência erros estratégicos

Os obrigacionistas aceitaram o plano do Tesouro de trocar créditos de 27,2 mil milhões de euros por 10% da "Nova General Motors". O gigante automóvel vai agora passar por uma cura de emagrecimento.

Obrigada a pedir hoje a falência, depois de um acordo de última hora com os obrigacionistas, a General Motors (GM) está a pagar um preço elevado pelos erros estratégicos cometidos nas últimas décadas, em que não foi capaz de se adaptar à evolução do mercado automóvel.

"Os problemas da GM têm, pelo menos 30 anos", dizem os analistas. "A estrutura de custos fixos é elevadíssima. Só os encargos com a saúde dos seus reformados atingem 47 mil milhões de dólares." E os últimos modelos não conseguiram rivalizar com os construtores japoneses, como a Toyota. "A GM encarnava a supremacia da indústria dos EUA; hoje isso chega ao fim."

Com as vendas em queda e a acumular prejuízos há cinco anos, a GM deverá avançar hoje com o pedido de protecção contra credores, ao abrigo do Capítulo 11 da Lei de Falência dos EUA. O processo tem estado a ser acompanhado muito de perto pelo governo americano, naquela que é classificada como a falência mais complexa da história do país.

Além de ter já deixado claro que pretende que os activos são do construtor sejam transferidos para uma "nova General Motors" logo que possível após a falência, a administração Obama envia, a partir de amanhã, 12 oficiais - entre os quais os secretários de Transporte e de Energia, respectivamente Ray LaHood e Steven Chu - aos estados do Norte para explicar a política do governo para o sector automóvel às comunidades e trabalhadores afectados pela crise.

Depois de aprovado pelos obrigacionistas, em rondas de negociações realizadas no sábado ao fim do dia, o plano de reestruturação prevê que o Departamento do Tesouro, que já injectou 19,4 mil milhões de euros na GM, fique com 72,5% do capital da nova empresa, que cede 17,5% das suas acções ao fundo de cuidados de saúde do sindicato United Auto Workers (UAW); os obrigacionistas ficam com 10% em troca de créditos de 27,2 mil milhões de euros, com a possibilidade de poderem elevar a sua participação para 25%.

Mas as tarefas não se ficam por aqui. A nova GM deverá passar entre seis a 18 meses com o capital fechado. No entretanto irá aligeirar a sua estrutura, reduzindo drasticamente (40%) a rede de fornecedores e o número de trabalhadores (mais de 40 mil) e definir quais as marcas que pretende vender, como a Hummer, a Saab e Saturn, sem contar já com a alemã Opel. Esta cura de emagrecimento e a redução da dívida permite que a GM, que foi durante 77 anos o maior construtor de automóveis do mundo, continue viável num cenário de crise e se torne "altamente rentável" quando as vendas aumentarem.

"Teria preferido manter-me à margem deste processo. Mas a GM é demasiado importante para a economia dos EUA para a deixarmos cair na bancarrota", concluiu Barack Obama.

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