Trabalhadores garantem que "paralisação vai continuar"

Os trabalhadores do Arsenal do Alfeite, concentrados desde as 17h em frente aos portões da base naval, garantem que "não vão baixar os braços" e que "a paralisação vai continuar".

Entre a multidão, que não pára de crescer, ouvem-se gritos de luta e palavras de indignação.

Os trabalhadores, desde o início da tarde em manifestação junto ao edifício da administração do Arsenal do Alfeite, saem da base para se juntarem aos que já estão cá fora, em frente aos portões.

Rogério Caeiro, do Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa (STEFFA), garante que "os trabalhadores foram ameaçados pela administração".

"Afirmaram, taxativamente, que se não desmobilizássemos tomariam outras medidas", afirma. "Disseram que chamavam a polícia de choque".

O sindicalista sublinha que "esta foi uma mobilização sem precedentes" e reconhece que "houve alturas em que os ânimos dos trabalhadores se exaltaram".

Cada vez mais apertados, e entre os dois lados da estrada em frente aos portões, há homens, mulheres e crianças a marcar presença "pela luta pelos direitos de uma vida", defendem.

"A luta continua, a luta continua!", gritam, entre palmas, assobios e apitos.

Armelindo Possante, "trabalhador de décadas no Arsenal", indigna-se com o facto de "os trabalhadores serem tratados como números".

"Não é a três semanas do período de férias, e da extinção do actual arsenal, que se confronta as pessoas com um contrato de trabalho. Estamos a ser pressionados", argumenta.

Os trabalhadores gritam em coro:"A luta é até partir, a luta é até partir!".

"Ficámos indignados com uma proposta que nos foi hoje apresentada pela Arsenal S.A., sobre o contrato de cedência de interesse público", conta Rogério Caeiro, do STEFFA.

De acordo com o sindicalista, "a proposta é vergonhosamente igual à que foi feita anteriormente, salvo umas vírgulas".

"Aquilo que se passou hoje, depois da uma da tarde, em frente à actual administração do Arsenal do Alfeite, foi uma manifestação espontânea", afirma António Pereira, da Comissão de Trabalhadores (CT), que garante que "nem o sindicato nem a comissão de trabalhadores teve nada que ver com a mobilização", avançando ainda que "estiveram entre 900 e 1 000 trabalhadores a manifestar-se".

O STEFFA e a CT exigem, em nome dos trabalhadores do Arsenal do Alfeite, "que sejam mantidos todos os postos de trabalho, e que o Estado assuma a manutenção dos direitos adquiridos pelos trabalhadores".

De acordo com a CT, está agendada para amanhã, às 10:30, uma reunião com a administração do Arsenal S.A, que vai assumir funções a 1 de Setembro, "para fazer um balanço dos acontecimentos de hoje".

A Lusa não pode acompanhar a manifestação no interior da base por não ter tido autorização por parte do Ministério da Defesa para entrar.

Contactada pela Lusa, a actual administração do Arsenal do Alfeite não se mostrou disponível para prestar quaisquer esclarecimentos sobre o ocorrido.

Recorde-se que o Arsenal do Alfeite, histórico estabelecimento fabril da Marinha para reparar e construir os seus navios, passará, a 1 de Setembro, a Sociedade Anónima de capitais 100 por cento públicos.

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