Porto: 600 empresas fecharam deixando 24 mil sem trabalho

Seiscentas pequenas e médias empresas fecharam no distrito do Porto nos últimos dois anos, lançando para o desemprego 24 mil trabalhadores, disse hoje, no Porto o deputado comunista Jorge Machado.

O deputado falava à Lusa no final de uma reunião com a Direcção da União de Sindicatos do Porto (USP/CGTP), com o objectivo de abordar a situação do emprego no distrito do Porto.

João Torres, da USP/CGTP, referiu também o alastramento do fenómeno dos salários em atraso no distrito.

"Calculamos que só neste distrito a dívida do patronato aos trabalhadores já tenha ultrapassado os 70 milhões de euros", disse aquele responsável.

Quanto ao desemprego no distrito, "as estimativas tanto do PCP como da CGTP indicam que o número oficial, reconhecido pelo IEFP, de 120 mil desempregados não corresponde à realidade e há muito foi ultrapassado".

"Para os serviços governamentais "todos os motivos são bons para retirar um trabalhador, basta que o trabalhador não responda a uma carta", disse Jorge Machado.

O deputado do PCP e João Torres coincidem na análise das causas da presente situação social no distrito, que, no seu entender, é consequência da existência não só da crise económica, mas também de vários outros factores.

Jorge Machado referiu que muitos desses desempregados pertencem ao sector do comércio e serviços e responsabiliza o Governo pela situação, devido à "política desastrosa seguida de permitir a abertura de centros comerciais a torto e a direito, com consequências nefastas para o pequeno comércio local".

Apontou ainda o facto de o distrito ser "o campeão do Rendimento Social de Inserção (RSI). Um terço dos pedidos de RSI a nível nacional vem do distrito do Porto".

Jorge Machado e João Torres referiram ainda a situação decorrente da aplicação do Código de Trabalho, que se tem saldado por "um desrespeito crescente pelos direitos dos trabalhadores".

O deputado comunista acrescentou que "o que se verifica é que o Governo deu rédea solta ao patronato na aplicação do Código de Trabalho, quando devia exactamente ter dado o sinal contrário".

"Verifica-se uma desregulamentação dos horários de trabalho, com constantes situações de abuso, havendo muitos casos em que a alteração do horário de entrada muda diariamente, com consequências negativas para a vida familiar dos trabalhadores", disse Jorge Machado.

PF.

Lusa

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